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domingo, 15 de abril de 2012

Autonomia da mulher vs masoquismo existencial




Esses dias a “ateiada” (Eu me incluo) comemorou a decisão do STJ sobre a questão do aborto nos casos de Acefalia/Anencefalia.

A vitória do que seria um direito óbvio da mulher só gera mais e mais discussão então só para não deixar passar, Por Zeus! Também teria que ter uma pequena e breve reflexão sobre isso não é?
Comentamos sobre a polêmica do abordo em algumas postagens aqui em Por Zeus! Precisamente em: “E mais política e Religião” e na Postagem Coletiva em defesa do Estado Laico” .

E por fim zuei com o bispo que alegava que a mulher é estuprada porque no fundo ela “quer” em : “Mulher! Deus me enviou para você!”...

Contudo a questão da Acefalia/Anencefalia é um caso um pouco mais especial, uma situação trágica onde um feto é diagnosticado com acefalia significa que não haverá desenvolvimento do cérebro, isso não significa que a criança vai ter “problemas mentais”, mas sim que ira morrer pouco tempo depois do parto! Logo é a certeza de que a mulher vai gerar por nove meses um feto que irá na maioria das vezes "morrer" pouco tempo depois que ela dar a luz...

[Veja mais para entender a diferença de Acefalia e Anencefalia clicando aqui e aqui]

Por Zeus!

Você consegue mensurar esse tipo de dor? Você consegue imaginar o que é ser obrigado a gerar por nove meses uma criança que não irá "sobreviver"?

Eu sim, isso se chama “compaixão” (Sentir dor pelo outro, compartilhar do sofrimento).

Eu me lembro de que há alguns anos teve uma reportagem no Fantástico sobre mulheres que lutavam pelo direito do aborto em relação à Acefalia, na reportagem um padre aparecia e dizia que a mulher tinha que “suportar” aquela “aprovação” que deus colocava em sua vida...

Ora, para você que não vai passar por tal sofrimento é muito fácil dizer que ela “deveria” fazer isso não é mesmo? Não só o Padre, mas outras mulheres hipócritas que são mães e crucificam essa ideia, com certeza elas não param para pensar que na pura e simples situação de “e se fosse comigo?”

Meus caros, quando uma pessoa é diagnosticada com "morte cerebral", batimentos cardiancos ou outras funções que o corpo desenpenhe não fazem dela um ser vivo, ela infelizmente já está morta...

A gravidez é caracterizada por gerar a vida, no caso da Acefalia ou Anencefalia, estamos falando de dar a luz a uma criança morta, pense um pouco nisso... realmente vale promover esse sofrimento à mulher? à familia? em nome de uma moralidade deturpada que mais cheira a masoquismo existencial?

Felizmente, o estado laico prevaleceu sobre a idiocracia teológica. Eu já disse aqui, sou a favor da liberdade de escolha individual:

"...para que caia na alçada da consciência de cada um;

O que é tenebroso para os grupos religiosos;
Confiar no julgamento moral de seus fieis..."

quinta-feira, 22 de março de 2012

Chatice de ateu?






Nossa imagem que ilustra essa postagem, embora seja bem provocativa, tem muito a dizer sobre a breve reflexão que se segue, pois novamente ocorre o debate:

“Justiça determina a retirada dos crucifixos dos prédios da Justiça gaúcha”

[Veja a matéria na integra clicando aqui]

Aí o cidadão sem um mínimo de pensamento crítico vai dizer:

“lá vem esses ateus chatos com suas provocações!”

A questão aqui não é uma afronta propriamente atéia, a presença de símbolos religiosos como, por exemplo, o crucifixo em ambientes que representem o governo, não é necessariamente uma afronta à pessoa enquanto ateu, mas um desrespeito também ao judeu que não crê em Jesus como o Messias, ao evangélico/Testemunha de Jeová que entende que imagem é idolatria (Pecado e erro) e a todo e qualquer “cidadão” que tenha uma “fé” diferente da cristã...

Por Zeus!

O “Estado” somos todos nós e todos nós não compartilhamos da mesma fé...

Recentemente, em uma conversa na internet, um colega se mostrou muito revoltado com as provocações dos ateístas e de fato, eu entendi muito bem a postura dele nesse sentido. Não concordo com muitas postagens do “ateísmo militante” por achar também que “pegar pesado” não é uma atitude bacana em relação à fé das pessoas.
[Sei também que muitas vezes eu mesmo posso ter passado dos limites, principalmente por ser irônico e sarcástico. Então aproveito o momento para pedir sinceras desculpas por esses momentos exaltados, mas devo lembrar que esse blog é oficialmente um espaço ateu, se você não aceita discutir os dogmas não deveria estar aqui, pois justamente a proposta é promover a reflexão sobre essa temática tão polêmica que é a religião].

Acho que há um nível de “bom senso” que deve guiar as atitudes políticas, e esse “bom senso” não deve ser baseado em uma fé em específico justamente por “todos” não terem a mesma fé.
[Sabia que existe um movimento para a retirada do " Deus seja louvado" no real? (Moeda/dinheiro)]

O que deve prevalecer em suma, pode sim ser o respeito à crença das pessoas, mas jamais a exaltação de uma como a “maior”, ou simplesmente a mais aceita, mesmo porque, atualmente o catolicismo (Principal difusor dessas imagens) não detém prioridade em um país tão caracterizado pela diversidade religiosa quanto o Brasil...

E se você concorda com o argumento de que a maioria é cristão e por isso não tem nada a ver essa situação, está na hora de fazermos um novo senso sobre religião no Brasil para somar todas as vertentes contrárias aos "símbolos" e ver quem realmente é a maioria ... Dado ao crescente movimento evangélico e até mesmo os "sem religião", acho que esse argumento cai por terra...

PS: A bandeira do estado laico tem sido levantada frequentemente aqui em "Por Zeus!". Veja as postagens anteriores sobre isso clicando aqui.

PS2 : Veja mais sobre “Religiões no Brasil” no Wikipédia (Embora o senso seja de 2000 e em 12 anos muita coisa mudou por aqui...)


terça-feira, 13 de março de 2012

Mulher! Deus me enviou para você!”




Essa foi a piada de Jay Leno no programa The Tonight Show , quando comentou sobre um site religioso que promete arrumar o seu parceiro “escolhido por deus”, ele pediu que imaginássemos a cena do cara escolhido pelo site chegando perto da companheira ideal e dizendo isso:

“Mulher! deus me enviou para você!”

Não soa meio estranho?

Achei que seria um gancho bem bacana para uma postagem nesse período (Comemoramos o dia das mulheres a pouco rs).

Por sinal, no “mês” das mulheres do ano passado eu fiz uma pequena homenagem a estas com a postagem “A culpa é da mulher?” Onde brinquei com a visão religiosa e mítica que geralmente a coloca como um ser inferior ao homem e tenta associa-la a origem do “mal” rs

Mas infelizmente a temática não é bacana e não dá margem para ser engraçada, na verdade, minha revolta explode em palavrões dentro da minha boca e me seguro para não transcrever para esse post...

Por que?

Esse ano não teria muito que dizer sobre até que li uma noticia triste enviada pela minha amiga Cristiane que já deu as caras por aqui, trata-se do seguinte:


[Clique no texto acima para ver a matéria completa]

Segundo ele:

“Vamos admitir até que a mulher tenha sido violentada, que foi vítima… É muito difícil uma violência sem o consentimento da mulher, é difícil”.

Por Zeus!

O que dizer disso?

Vamos contar até dez e respirar profundamente, o vô aí tem tenho 52 anos e deve estar tendo alguns devaneios não é? (O triste que esse individuo é formador de opinião) e para variar está usando argumentos tipicamente esdrúxulos para defender sua posição, ou melhor, da igreja em relação ao aborto.

No Brasil o em caso de estupro o abordo é permitido, e nosso coleguinha aí está batendo na tecla de que isso pode ser uma desculpa da mulher para poder abortar... Claro que isso pode até acontecer, mas o modo como o bispo está falando isso tem alguma coerência?

Francamente, o Rafinha Bastos foi processado por uma piada que é tão imbecil e idiota quanto o argumento levantado pelo Bispo! Mas eu duvido muito que aconteça o mesmo com ele. Porque quando entramos no terreno da religiosidade temos que ser “ponderados” não é mesmo?

Não!

Não podemos nos calar quando coisas tão estúpidas são promovidas em nome da religiosidade, é dever inclusive de quem crê pedir que esse tipo de situação seja retratada para que o “filme” da igreja que já anda tão queimado não fique pior ainda...

PS: Reveja a questão do aborto aqui em Por Zeus! na postagem "E mais Política e Religião..." (Clique aqui)

PS 2 : Essa foi sem duvida a postagem que eu mais me segurei para não falar nenhum palavrão...

Imagem de exibição retirada do site : http://omitindocidadania.blogspot.com/

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Existem vários sentidos para a vida. Ter algum deus não é essencial...





No século XVIII, um camarada chamado
Soren kierkegaard escrevia na historia da Filosofia sua contribuição quase como se estivesse abrindo as portas para o “existencialismo”.

O simpático Kierkegaard escreveu muita coisa, mas uma ideia em especial me chamou atenção...
Kierkegaard praticamente “rotulou” o ser humano de maneira muito interessante em três “estágios da vida”, segundo ele, o homem diante da angústia (vertigem da liberdade/ existência etc) acaba adotando uma postura para superar o grande problema do “sentido da vida”. Eles fazem sentido, mas são bem questionáveis e veremos:

Resumindo de maneira (muito) grosseira, ele dizia que um sujeito poderia viver uma vida “Estética”, focando os prazeres, a busca máxima da satisfação pessoal, etc. Estágio da vida que ele representou através do famoso “Dom Juan”. Afinal, você não sabe o que vai acontecer amanhã, então aproveite ao máximo o presente! Certo? Bem, este sujeito é um “desesperado” que busca se ludibriar, basicamente um alcoólatra existencial rs

O que me lembra um aforismo meu:


Se para ti, a vida é só "curtição", ignore-me;

Sou demasiadamente humano...


Em referência a máxima de Heráclito:


"...caso a felicidade consistisse nos prazeres ... nomear “bois felizes” ao encontrar ervilhas para comer"


Já na vida Ética, o sujeito surge com idéias e concepções mais maduras, resolvendo criar valores mais “sérios” ou simplesmente “significativos” para sua existência, daí a representação dessa postura como o “Bom marido”. Contudo, Este sujeito não supera completamente sua “angustia existêncial”, apenas sobrepuja pequenas questões ao ter objetivos mais “nobres”;


Eis que temos a resposta para o “sentido ultimo da existência”! No estágio religioso, o homem se colocaria acima da materialidade e até da ética! Superando toda a angústia da vida... Somente com deus você terá paz de espírito, respostas, sentido, realização etc...

Aí temos um probleminha não é?
[Na verdade um problemão, aqui nasce a base para o Fundamentalismo...]

Que muita gente acha que deus é o sentido da vida tudo bem, mas achar que sem ele é impossível alguém ser feliz, realizado etc. É um pouco de ignorância;

Ignorância vem de “ignorar”, nesse caso tem tudo a ver! A pessoa ignora o fato simples de que nem todos necessitam de um deus para suas vidas terem sentido, para serem felizes, para serem boas pessoas, virtuosas etc.

Já comentamos sobre isso aqui em postagens sobre a questão do laicismo e na postagem “Se deus não existe tudo é possível!”

Minha perspectiva é até simples: Por exemplo, se existiu alguma evolução moral na humanidade, ela não aconteceu por seguirmos a bíblia, na verdade, pelos questionamentos de seus dogmas. A promoção da tolerância e do respeito à diversidade não é uma característica religiosa...

Mas voltando ao assunto inicial. Sou ateu, o sentido da vida para mim, é basicamente o fato de que essa vida é uma experiência única e insubstituível, devendo ser valorizada em todas as suas esferas, busca por mais conhecimento, promoção da afetividade, do respeito etc.
[O meu “valorizar” a vida não é como muitos que vivem no estágio “estético” mencionado por Kierkegaard, que para mim se assemelha a uma vida animal e não propriamente humana. Acho que se eu fosse “enquadrado” em um desses estágios, com certeza seria o da vida ética. Felizmente, tudo é bem mais complexo para isso ser possível...]

A partir do momento que encarei tudo como único, tudo fez mais sentido para mim, apostar em redenções, outras vidas, lugares melhores etc, é um lance arriscado demais quando a gente percebe que não há certezas absolutas, principalmente se tratando de deus e do sentido de nossa existência...

Por Zeus!

Não espero recompensas por buscar ser uma boa pessoa, estar bem comigo mesmo, com minha consciência é o suficiente...


Não espero encontrar as pessoas que amo em outra vida, então eu tenho que amá-las o máximo possível nessa vida...

Todos nós somos únicos, mas não passamos de poeira estelar...

“Todos nós estamos caminhando para o abismo da inexistência...
Mas isso não é o triste;

O triste é que as pessoas ao invés de serem solidárias umas com as outras nesse destino trágico, preferem se destruir e magoar mutuamente...

Desperdiçando a única chance que tem de fazer isso aqui valer a pena...”


(Reflexão do meu natalício 01/08/2011)

Grande abraço.



PS : Devo aproveitar o momento para falar sobre a questão do “d”eus e não Deus. Muita gente acha que é propositalmente uma ofensa de minha parte, mas não é simples assim, quando umas pessoas falam em Deus com maiúscula seria basicamente a aposta do “verdadeiro deus”, normalmente usamos aqui a minúscula por que me refiro a ideia genérica de deus/divindade... Ah! Além do mais, eu não acho que tenha um verdadeiro deus para ser escrito com a letra maiúscula...

PS 2:

"...Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,

Sem dúvida que viria falar comigo

E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me,
Aqui estou!..."


(Há metafísica bastante em não pensar em nada. "O guardador de rebanhos", Alberto Caeiro ou simplesmente "tio" Pessoa.)

domingo, 30 de outubro de 2011

Por que condenar o cara que acredita em Jesus ET?




O Agora é tarde do Danilo Gentili é um dos meus programas favoritos!

Essa semana teve uma entrevista com o autor Leo Mark que defende em seu livro uma origem extraterrestre para Jesus... (Veja a repercussão disso em uma pagina gospel clicando aqui)

Na verdade isso não é novidade, o escritor Erich von Däniken defende algo parecido no livro “Eram os Deuses Astronautas?”.

Em 2003, Dom Fernando Pugliese, bispo da Igreja Católica Apostólica Brasileira se rebelou contra o “complô” que tenta mascarar a origem extraterrestre de Cristo... Sério!
[Nunca ouviu falar em uma seita religiosa americana que prega isso como dogma? Mas tem! Na época da Ovelha Dolly eles falaram que estavam fazendo o primeiro clone humano rs]

Segundo o Erich Von Daniken :

"Milhares de anos atrás, quando nossos antepassados eram da idade da pedra, alguns extraterrestres visitaram a Terra."

O que explicaria monumentos como as pirâmides do Egito!

"Os extraterrestres difundiram a sabedoria para construí-los e talvez a tecnologia para viabiliza-los."

[Quero ler esse livro nas férias e depois vou postar aqui como comentário com minhas impressões rs]

Veja mais sobre isso aqui no CUB : Centro de ufologia brasileiro.
(Por sinal, de onde retirei nossa imagem de hoje)

O que me chamou atenção foi que uma das teses seria de que o “Santo Sudário” é a “prova” de que Jesus teve contato com ETs diz Mark:

“Cientistas do mundo inteiro tentam saber de onde surgiu aquela imagem do sudário”, disse o autor que é ateu.

Bem, Esse “Santo Sudário” é mesmo polêmico. Na verdade, não sei por que nunca comentei sobre ele aqui, então vamos lá:

O dito cujo é aquele pedaço de pano (Ok! Peça de “linho” rs) com uns borrões discretos de sangue que formam a imagem semelhante ao do “cristo” passado para nós. Muitos acreditam que esse tecido tenha sido usado para cobrir o corpo de Jesus após sua morte e uma relíquia desse porte não passaria despercebida.

Com muito custo a igreja liberou a peça em 1977 para algumas análises científicas, mas não ao exame definitivo que seria o tal “Carbono-14”.
[A datação por carbono-14 apresenta uma margem de erro de 0,4% para materiais com até 10000 anos de idade! Clique aqui para saber mais]

Somente em 1988 o carbono-14 foi usado para descobrir a idade da peça, o resultado? Os três laboratórios que fizeram o exame chagaram a conclusão de que o tecido foi feito na época medieval (Precisamente por volta de 1260/1390). O que faz um tremendo sentido, já comentamos aqui em Por Zeus! Sobre a época medieval, onde indulgências eram comuns, itens sagrados eram vendidos pela igreja, regras novas eram “criadas” como a questão do “purgatório” por exemplo etc.

Acabou não é?

Claro que não!

Várias teorias foram levantadas para desclassificar o resultado do Carbono-14 de modo a resgatar a “sacralidade” da peça. (Veja clicando aqui)

Bem, tudo isso cai naquele velho papo:

“Você não pode provar que meu amigo invisível não existe!”

Então tá, vamos voltar para “a origem extraterrestre de Jesus”;

Se você ficou horrorizado com Mark saiba eu ele não é muito original, esse papo já existe há muito tempo, tanto que alguns quadros antigos da época medieval, por exemplo, tem misteriosos “objetos voadores não identificados” no meio de pinturas sagradas, que deram margem para muita gente achar que aquilo já era uma mensagem “diferente”.

Achar que eles (ETs) estão por trás de tantos eventos misteriosos no mundo não deixa de ser uma possibilidade...

Por Zeus!

Cientificamente falando, existe uma possibilidade infinita de haver vida em outros planetas. O que é mais plausível do que tentar provar isso com base na bíblia que por si só é extremamente questionável...

Antes de crucificar o Leo Mark pense no que faz mais sentido...

Por mim, não é acreditar em jardins mágicos com serpentes falantes...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Qual é a do sincretismo se há intolerância religiosa?




Sabem, eu estava pensando, Qual é a do sincretismo no Brasil?

Bem, vamos por partes: Sincretismo é uma fusão de doutrinas de diversas origens, normalmente se tratando das crenças religiosas.

A origem do termo é bem bacana, Para variar do grego e segundo o Wikipédia:

“A origem se deve provavelmente a Plutarco no capítulo "Amor Fraternal" no seu "Moralidades", onde comenta que os cretenses esqueciam as diferenças internas a fim por exemplo de se unir a combater um mal maior. Então sincretismo é agir como os cretenses agiam, unir coisas dispares apesar das diferenças a favor do que é semelhante (cretenses eram antes das diferenças cretenses).”

Para conseguir arrebanhar mais ovelhas, a igreja no passado teve a sacada do sincretismo, afinal, os nórdicos eram bem enraizados com seus mitos, então não custava fazer “pequenas adaptações” de modo a convencê-los de que o cristianismo era a melhor religião.

[Afinal se eu acredito que tudo foi criado por um grande deus de macarrão, uma religião que chegar até mim falando que prega um deus de macarrão talharim terá mais chance de me ganhar do que uma que fale em um deus de queijo rs]

Mas enfim, deixando o sincretismo histórico, vamos falar do sincretismo no Brasil, em uma postagem anterior eu comentei sobre a Intolerância religiosa, onde caçoei do fato de um católico que vai a missa no domingo e no almoço vai discutir o que teria sido em outra vida. Piada zuando o fato de que se você é católico, não poderia defender a tese de reencarnações, mas no Brasil as pessoas ignoram essas “peculiaridades”, moldando a religião conforme lhe é mais “cômodo”.
(Leia clicando aqui, ou entenda a piada clicando aqui)

O mais chocante dessa situação, é que o povo consegue ser tão besta fechando os olhos para esse sincretismo na nossa cultura e ainda sim ser intolerante em relação à outra religião!

Notem que nossa cultura (Brasileira) é um misto de tanta coisa que é bizarro que haja qualquer tipo de preconceito entre nós até mesmo o religioso.
[Só que muitos preconceitos vão ter base religiosa, como por exemplo a homosexualidade]

Mas vocês com certeza já ouviram um católico caçoar de um evangélico ou vice-versa...

Eu por exemplo certa vez ouvi um católico dizer:

“Para eles (crentes) Jesus não teve mãe”

Exaltando a tendência (Ainda atual) da igreja católica de enfatizar Maria como se isso fizesse de sua crença "melhor" ou mais válida do que a do colega evangélico. [Por sinal, ouvi dizer que tev um movimento na igreja que queria equivaler sua santidade (Maria) à de Jesus! Mas isso eu não investiguei rs]

Espíritas costumam ser os mais moderados, afinal, é bem difícil conciliar suas teses com textos bíblicos que condenam suas práticas em várias passagens, mas ainda sim, existe um espiritismo cristão em oposição ao umbandista por exemplo.
[Leia a postagem sobre Espiritismo clicando aqui]

Enfim, a maioria das pessoas não tem 100% de sua religião ativa no padrão de suas vidas, mas quando são questionados vão assumir uma religião cujos preceitos talvez nem entendam direito, mas ainda sim, muitos se sentem no direito de condenar o colega da outra religião.

O sincretismo ganha vida quando um indivíduo percebe que não tem cabimento seguir sua religião 100%, aí ele passa a “pecar” seguindo uma margem de erro.

Por Zeus!

E se o povo misteriosamente não respeita a religião alheia, o que dirá em relação a uma pessoa que se assuma como ateu?

Bem há pouco tempo um cara que eu sou muito simpatizante, Nando Reis declarou ser ateu e foi bombardeado por críticas como:

Em breve, Deus tirará a voz dele e ele vai viver de que? Esse é o cara mais idiota que já presenciei.

Sentiram o drama? O religioso costuma se ver como o “bom e justo” protegido por seu deus, na prática não age de forma tão bondosa muito menos justa.

O pastor Michael Stahl, da Flórida (EUA) chegou a sugerir um cadastro de ateus (veja clicando aqui) pois compara os ateus aos criminosos sexuais, terroristas, radicais islâmicos, etc. que são cadastrados pelos órgãos de segurança.

(Risos)

Ou seja, Ser ateu então é quase como ser um “X-men”! (Piada Nerd)
Qual o nosso poder perigoso?
Promover a razão e a reflexão sobre as crenças e dogmas...

Afinal, se você tem o direito de dizer que acredita em qualquer religião, eu tenho direito de não crer em nenhuma...



De boa, Deveríamos resgatar então o sentido do “sincretismo” original (grego), mas parece que "religiosamente" falando é bem improvável...



Abraço.



quinta-feira, 29 de setembro de 2011

É claro que não posso provar que deus não existe




É algo incrivelmente motivador para minha pessoa manter esse blog, o fato de ser abordado por pessoas moralistas que sabem lá por que, resolver tirar satisfação comigo pelo fato de EU ser ateu rs


E sou bombardeado pelas frases mais bestas, ou argumentos mais idiotas possíveis, tudo tentando me trazer a “luz da razão” para o “fato” de que existe um deus...


Normalmente, se trata de um religioso que vem com os argumentos de sua própria fé, mas tropeça quando eu demonstro entender mais da religião dele do que ele próprio;
Mas o melhor de tudo é ser abordado por pseudo-intelectual armado de argumentos metafísicos /filosóficos/teológicos /espiritualista ou simplesmente ancorado em “pseudociência”. Como por exemplo, aqueles papos de “física quântica” retiradas provavelmente de filmes como “O segredo” e “Quem somos nós”...

A “onda metafísica” (tirando a aristotélica que tinha mais sentido por ser basicamente a Filosofia em si) não passa de joguetes de abstração cognitiva que no final, não são demonstrações válidas para qualquer assunto que elas defendam principalmente sobre um deus para o qual, as pessoas tendem a direcionar suas reflexões.


É claro que o mérito está na inquietação filosófica que busca sempre questionar destruir o óbvio e por aí vai, mas morre quando são usados para defender uma suposta “verdade”, de que exista um deus por exemplo.
Seguindo esse raciocínio Emmanuel Kant disse:

"Só a crítica pode cortar pela raiz o materialismo, o fatalismo, o ateísmo, a incredulidade dos espíritos fortes, o fanatismo e a superstição”


Algo que ele aprendeu com o ceticismo de David Hume. Enfim, não entrando nos conteúdos acadêmicos de Filosofia e sem citar filósofos vamos falar despidos de ideias de terceiros, papo franco pessoal;

[O que me lembra que estou atrasado com a postagem sobre o “deus racional” da Filosofia]
Qual é o sentido de deus existir e se esconder?

Sem esse papo de que ele se manifesta em "pequenas coisas", porque isso parte do princípio de que você quer acreditar nisso e interpreta alguns fenômenos como sendo demonstrações de sua existência, muitos desses fenômenos já explicados cientificamente, mas negados assim mesmo, outros, a negação da probabilidade diante da diversidade e vastidão do mundo e também temos as situações pessoais tão insignificantes que é incrível as pessoas associarem deus a elas (“oh graças a deus você apareceu para me ajudar com o carro” ou “foi deus que me ajudou a fazer aquela prova”.

Ah claro! Enquanto isso tragédias aconteciam porque deus estava distraído te ajudando)


Sem esse papo também de que no seu livro sagrado explica tudo, existem uma penca de livros sagrados e interpretações uma mais estranha que a outra sobre deus que ao invés de resolver isso fica escondido?

Poxa, ele devia ajudar as pessoas que nasceram longe da “verdade dele”, por exemplo, supondo que nossa bíblia comum, dos católicos mais comuns, seja a verdade, coitados dos mulçumanos se explodindo, não é culpa deles se o verdadeiro deus não aparece e falar que eles estão fazendo tudo errado (O mesmo vale para a situação inversa, se Alá é a verdade, ele podia das caras aqui no ocidente que todo mundo se convertia sem precisar de tanta explosão).

Que joguete insano é esse de um suposto deus que não se revela e fica dando pistas de sua existência deixando a diversidade de interpretações levarem a gente se matar em nome dele? A única explicação é que sendo tão antropomórfico assim (como as pessoas gostam de acreditar), ele só pode ser sádico também...


Mas no fim, obviamente, não se poder provar "cientificamente" que deus não existe, porque a ciência trabalha com fatos demonstráveis, se eu falo que tem uma vaca congelada em plutão, não tem como provar que ela não está, mas pela nossa razão, lá no fundo, sabemos que não está... E me remetendo a uma celebre frase:

“Deus é uma tese e o ônus da prova cabe ao teísta”

Então sem essa de me parar querendo que eu prove que deus não existe, eu tenho mais o que fazer.


Este blog, não tem o objetivo de converter ninguém ao ateísmo, aqui é um espaço para propor a reflexão do assunto, por eu ser ateu, a minha perspectiva descrente vai ser sempre o motor do assunto que geralmente é uma experiência que vivi em relação a alguma situação que cai no âmbito da religiosidade.

Por fim, (Hoje to meio empolgado, pois fiquei irritado), O que eu ser ateu influencia na vida das pessoas?

Tivemos em postagens anteriores uma participação com o site livre pensadores sobre laicismo (veja clicando aqui), buscando fazer entender algo simples, religião não tem a ver com caráter, para ser exato, mais de 90% do mundo diz acreditar em deus, mas basta um olhar mais crítico e percebemos que tudo esta uma grande bosta, o que não deveria...


Talvez se o povo parasse de pensar no “além mundo” e começassem a se preocupar com “este mundo”, poderíamos estar mudando as coisas para melhor, mas parece que é muito mais fácil esperar um “milagre” do que por a mão na massa...


Para mim, o ateísmo é um compromisso ético, ao me libertar das crenças sem sentido, eu tive que reaprender a me ver e ao mundo, buscando motivações muito mais coerentes para ser uma pessoa honestamente moral, tanto que, se existisse um bom deus, garanto que eu devo ter muito mais pontos com ele do que muita gente que enche a boca para falar nele...