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sexta-feira, 8 de abril de 2011

"Entre o céu e o inferno"


A maioria, senão todas as pessoas sentem um certo incomodo quando pensam na existência de “seres” sobrenaturais, sejam entidades culturalmente expostas como anjos e demônios ou mesmo as clássica lendas como por exemplo os belos e sedutores vampiros.

“Entre o céu e o inferno” surgia lentamente em minha mente quando atravessava um momento de profundo interesse pelo oculto, um universo rico e com um véu de mistério, contudo meu amadurecimento pessoal se deu a medida que avançava nos estudos de filosofia e lentamente a mística em mim perdeu sua força.

A reflexão sobre a existência humana em seus vários níveis nos fazem perceber certas coisas, não negando que tudo não passa de uma interpretação pessoal que pode variar de pessoa para pessoa, meu encontro com o ceticismo e posteriormente com o ateísmo foi inevitável, então minha história morria lentamente na minha mente, se tratando de uma mente atéia é complicado trabalhar anjos e demônios com toda a profundidade que tais seres possuem no nosso mundo cultural, de uma paixão profunda eu cai no total repudio pelo oculto.


Para minha surpresa, certo dia eu me deparei com objetos de uma colega psicóloga, “rorschach”, aquelas imagens que vemos em filmes e desenhos quando alguém consulta um psicólogo e este pede que você diga o que está vendo naqueles borrões de tinta. Participando de uma pequena brincadeira comecei a “interpreta-los”. Tudo o que via era anjos, uns celestes e outros estranhamente malignos ou faces de demônios, o que isso significava? Eu até hoje não sei ao certo, mas acredito que tem haver com esse livro, algo que estava aparentemente morto dentro de mim, mas que na verdade estava ganhando força, a filosofia fundamentou um conto e sua profundidade o enriqueceu.

Entre o céu e o inferno já não é apenas uma história, há algo escondido em suas entrelinhas, uma mensagem, uma filosofia disfarçada em contos. Cristo contava parábolas, Sócrates e Platão alegorias, contar histórias já não é apenas uma arte de entretenimento a milhares de anos e longe de querer me comparar aos grandes nomes que citei, sejam eles personagens fictícios ou não, eu também tenho direito de escrever histórias presunçosamente filosóficas, porque também sou um contador de histórias.

Contudo, a filosofia contida aqui não é uma imposição de um ponto de vista, mesmo porque, não há uma “revelação”, é um convite à reflexão. Acompanhe os personagens em um mundo que não é diferente do nosso “mundo real”, pois a simbologia apenas esconde uma idéia, que muito tem a ver com nossa realidade.

"A Gênese do fim" é a introdução a essa aventura, a esse conto, ao cenário presunçosamente filosófico...

Esse é o esboço do primeiro prefácio que eu havia escrito para meu livro que agora finalmente ganha um novo corpo!

Capa: José Roberto Paula (Foto) e João Halfeld (Montagem)

Tentei deixá-lo o mais em conta possível, sem cobrar nada além do preço de custo, mas ainda sim achei que ficou caro rs

Clique para ver o livro (Agora também em formato ebook) : Clube de autores (aqui) e no Agbook (aqui)

Abraço e agradecimentos a TODOS que de alguma forma contribuíram para a realização desse projeto...

quinta-feira, 31 de março de 2011

A culpa é da mulher?


Eu sei que o dia das mulheres já passou. Logo, uma postagem sobre as mulheres na perspectiva de Por Zeus! Está um pouco fora de contexto, mas como não acho justo um dia apenas para homenagear a mulher, estendo o dia para mês e trago para vocês uma reflexão sobre a mulher e a religiosidade, uma temática que poderia render um livro ou livros, mas que por motivos óbvios será abordada de maneira bem sucinta aqui...

Na mitologia japonesa, a passagem de demônios nos portais entre os mundos desencadeavam os terremotos, embora nessa cultura nem todos os demônios sejam maus, temos alguns que só “existem” para infernizar o mundo dos homens, tais criaturas sem muita opção de lazer foram gerados pela primeira mulher “Izanami” que revoltada com seu marido Izanagi, criou tais seres. Logo, o mal veio da mulher...

Zeus! Reinando no panteão grego, ficou furioso com a atitude de Prometeu em roubar o fogo dos deuses e entregar aos homens e criou a primeira mulher, Pandora, para lançar aos homens os maiores males. Pandora mesmo avisada, não resistiu e abriu a tal caixa proibida e dali em diante, foram os homens afligidos por todos os males.


Esses relatos míticos parecem muito estranhos para nós, a modernidade, mas lhes pergunto qual a diferença neles e aceitar a historia de Eva corrompida pela serpente falante do jardim mágico, que arrastou o bom homem Adão para o pecado?

Na verdade não muito, há detalhes que fazem a mitologia ser diferente da religião, mas sinceramente eu acho que são argumentos levantados apenas para defender a ignorância de quem acredita nessas coisas, o pano de fundo é mesmo, explicar de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para onde vamos.
O que chama atenção nesses relatos é como são enraizados em culturas primitivas que focavam a superioridade masculina sobre a mulher ou simplesmente responsabilizando a mulher pelas coisas ruins do mundo.

Por Zeus! Um exemplo básico e até clichê de como o texto bíblico é direcionado ao homem: “Não cobiçaras a mulher do próximo”, podemos brincar e “zuar” que a mulher pode cobiçar o marido da outra, mas acho que a frase “coisifica” a mulher em um “mundo masculino”.
[Mundo masculino? Lembraram do juiz que escreveu tal besteira? Será que isso vai dar algum problema para ele? Acho que não...]

O pensamento de que mulher deve ficar “esquentando a barriga no fogão e esfriando no tanque” é puramente reflexo do machismo cultural, algo que por sinal insiste até os dias de hoje em pleno século XXI, mesmo depois de tantas revoluções femininas.
[Mesmo com mulheres chegando a cargos tão importantes quanto aos de “presidentas” (A palavra existe embora não seja aplicada), o que me lembra que para tão cargo não acho a Dilma a mais indicada, mas a Marina não chegou lá...]

Na religiosidade as revoluções femininas resgataram o conceito de religião matriarcal. Que para mim, tem um sentido muito mais lógico que falar em um “pai celestial”, mas “lógica’ não é algo que se possa vincular a religiosidade.
[Uma religião matriarcal é supostamente centrada na adoração a uma “deusa mãe” mitos de fertilidade e sacralidade, que culminariam em uma adoração à natureza].

É claro que as revoluções femininas não se limitam ao surgimento de religiões neopagãs, mas até mesmo em transformações nas religiões vigentes, a mulher agora pode ser ordenada “clériga” em algumas correntes neoliberais do protestantismo, ate em algumas mais liberais do judaísmo, a mulher pode ser “rabina”!
[Em algumas, a mulher poder mostrar o rosto já é um avanço...]

É claro que existe também outro lado, nem todas as mulheres buscam a subjetividade e preferem ficar na aba de homens, o que pode ser resultado desse infeliz aprendizado cultural.

No fundo, o desfecho dessas culturas deve ter uma mesma base, o medo do homem diante do poder feminino, afinal aquela frase: “Por traz de um grande homem tem uma grande mulher” deve ter um sentido bem explícito e verídico...

Eu apoio a luta das mulheres através dos tempos para a igualdade dos sexos, acho que seria definitivamente uma evolução, parar de falar em “homens” e “mulheres” e sim em humanidade...

PS: Na imagem tema de hoje, temos respectivamente Lou Salomé, Paul Ree e famoso filósofo alemão Nietzsche, o significa? Lou-Salomé, não a “mulher do Nietzsche”, a mulher que com certeza fez o Nietzsche chorar rs

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Não sei quanto a vocês, Mas eu não sou lunático...




A maioria das superstições e credos populares têm uma grande dificuldade em resistir ao tempo. Foi assim com o panteão grego, bastaram os encontros culturais para se perceber que havia deuses demais e poucas provas concretas além do que era simplesmente dito pelos antigos. Logo, lentamente a medida em que se entendiam as causas e fenômenos da natureza, os Mitos caiam por terra...

Toda a história da humanidade nos mostra estas vicissitudes decorrentes das descobertas filosóficas e cientificas. Foi assim sobre a questão da terra ser redonda, Sobre quem gira em torno de quem, De onde surgiu vida na terra, Qual a verdadeira idade da terra etc.

Contudo, não importa o quanto se prove ou demonstre logicamente alguma idéia que bata de frente com a superstição, as pessoas preferem ignorar toda a razão e crer em sua espiritualidade (Nietzsche culpa Sócrates e Platão por isso rs) .

Afinal é mais fácil acreditar que deus criou o homem a partir do barro em um jardim mágico do que quebrar a cabeça e tentar entender química e biologia...

Uma polêmica já trabalhada aqui em Por Zeus! É a questão da astrologia (Relembre clicando aqui). Na verdade eu nem sei se posso usar o termo “polemica”, mas vou seguir a idéia da reportagem do Jornal Hoje desta segunda-feira (24/01/2011):

O problema: um gringo luta para que a constelação de “Ofiúco” (Conhecida também por Serpentário) seja considerada válida. Na verdade:

"Em realidade, o Zodíaco atual tem treze constelações. Desde 1952, temos adotado esta Constelação Zodiacal em nossos estudos, criando assim o Zodíaco perfeito e exato sobre a Eclíptica. Esta descoberta decorreu duma análise profunda do curso do Sol zodiacal, e deste modo propusemos a sua notação na Faixa Zodiacal bem como criamos o seu signo, publicado na Imprensa para registro. Pode observar-se que o Sol, no Zodíaco, percorre pequena parte do Escorpião e logo entra no Ofiuco, para depois ingressar em Sagitário." SEIXAS NETTO, A. O zodíaco. São Paulo : Editora do Escritor, [19--]. p. 60.

[Entenda a questão mais a fundo clicando no texto acima e forme sua opinião]

Resumindo, Não importa quantas descobertas que sejam feitas, “superstições” não se atualizam. Faço minhas as palavras de Richard Dawkins quando diz:

“A astrologia já não fazia sentido quando foi inventada, hoje em dia menos ainda”

[Veja o vídeo “Inimigos da razão” onde Dawkins entrevista um importante astrólogo dos EUA clicando na frase acima. Percebemos que justamente por não saberem explicar como a astrologia funciona, as respostas mais variadas para o nosso assunto de hoje pode ser dada pelos astrologos]

Por Zeus!

Não sei quanto a vocês, Mas eu não sou lunático.

O que me lembra que em uma aula onde eu abordei conhecimento mítico e cientifico, uma dinâmica que realizei foi a de dar os signos para os alunos lerem e darem uma nota de validade, a resposta:

Uma média de 75% dos alunos se identificaram com o texto, 20% mais ou menos e 5% disseram que não tinha nada a ver.
[Minha ideia não é original, veja James Randi fazendo essa experiência clicando aqui]

Vocês deveriam ver a cara deles quando revelei que os signos estavam trocados e que ninguém havia lido o seu de verdade rs
[E para você que pertence aos quase 70% dos brasileiros que se dizem cristãos, mas que não sabem P#$$@ nenhuma da sua religião, Astrologia não deve estar em seus credos...]


Mas sabe de uma coisa, dá para entender as motivações contrárias ao 13º signo... 13 é numero de azar certo?



PS : Não vou aprofundar no assunto, pois já tivemos uma postagem sobre isso como mencionado no texto. Mas se você quizer aprender um pouco mais, tio Sagan pode ensinar clicando aqui.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Intolerância Religiosa




Parabéns povo brasileiro!

O combate à Intolerância Religiosa é celebrado anualmente no dia 21 de janeiro rs

Em nosso país você pode ir à missa domingo fingir que entende o que o padre diz e depois do almoço discutir com seus amigos sobre o que você foi na vida passada!

[Se você não entendeu o que eu quis dizer, você está na estatística de ignorância coletiva, leia as postagens anteriores sobre Chico Xavier, dogmas religiosos etc]

Houve uma época onde ser cristão exigia muita coragem, pois estes eram perseguidos. Reviravoltas da historia a parte, a fé cristã chegou ao poder e devolveu a perseguição e assassinou (Embora em tese seja contra seus princípios) todos aqueles de fé contraria ou que simplesmente desenvolveram uma reflexão mais crítica sobre a fé...
[Mas se você lembrar que Javé manda matar todos que não acreditam no “único e verdadeiro deus” que é ele, todos esses crimes são de certa maneira explicados]

Embora o povo não seja muito consciente sobre o assunto, temos um sincretismo religioso evidente em nossa cultura.

E graças a Zeus! Hoje eu posso escrever esse blog sem ser condenado a fogueira, apedrejado, crucificado etc. Simplesmente recebo maldições, mau olhado, ódio e por aí vai... rs

Como dizia o Zagalo: Vocês têm que me engolir!

Pois em nome da liberdade religiosa eu posso assumir minhas "crenças em nada" sem retaliação, o que é de certa maneira uma evolução!

E sabe o que é mais bacana?

Não estou sozinho! A “minoria” atéia está cada vez mais mobilizada o que ironicamente me enche de esperança rs

Hoje deixo alguns links interessantes:

http://coletivoacidocetico.blogspot.com/

http://bulevoador.haaan.com/2011/01/21/dia-de-combate-a-intolerancia-e-do-bule-receber-cristaos/

http://www.ceticismoaberto.com/

http://umaateiadebomhumor.blogspot.com/

Estes possuem mais links para outros tantos...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Para o Papa que em tese não tem uma vida sexual, ser contra a camisinha é fácil...



Vendo a “Retrospectiva 2010” me veio o atraso desse blog em tecer uma reflexão sobre as afirmações do Papa Bento XVI sobre o uso da camisinha...

Ao contrário do que foi dito na retrospectiva, o Papa não se demonstrou a favor da camisinha, apenas disse que em certos casos ela poderia ser admitida...
[Os editores do programa deveriam ficar atentos a isso, a ausência de “em certos casos” fez parecer que o Papa liberou geral, mas sabemos que não é bem assim, e já que Por Zeus tem a missão de elucidar questões sobre fé e ajudar as pessoas a entender um pouco mais da própria religião seria muito prudente recapitular essa “polêmica”]

“É um bom começo”, disse diretora-geral da agência de saúde da ONU.

Na matéria do G1, (Veja clicando na frase acima) Li que Margaret Chan, (Diretora-geral da Organização Mundial da Saúde) elogiou nesta segunda-feira (22) o fato de o Papa Bento XVI ter admitido a utilização de preservativos em certos casos para reduzir o risco de transmissão do vírus da Aids.

É claro que o Vaticano foi muito específico ao afirmar que não constitui uma solução para o problema, mas um “primeiro ato de responsabilidade” ou seja, se você está vivendo em “pecado”, peque menos usando a camisinha ao invés de fazer com que seu parceiro corra risco por sua falta de ... religiosidade?

A matéria ressalta uma posição notável do papa em relação ao assunto, muito contrária à repercussão dessas afirmações na França:

"Enquanto não cabe a nós julgar a doutrina da Igreja, consideramos que tais comentários são uma ameaça às políticas de saúde pública e a obrigação de proteger a vida humana", disse o porta-voz do ministro das Relações Exteriores francês, Eric Chevalier.

(Leia mais clicando aqui)

Eles não gostaram do papa dizer que campanhas a favor da camisinha podem aumentar o problema e de fato será que a política da igreja em relação à camisinha tem algum sentido?
[Os franceses são fodas! Viva La France!]

O argumento religioso: O uso indiscriminado de preservativos incentiva um estilo de vida sexual promiscua, imoral, pecadora etc. E como nós sabemos, as maiorias dos dogmas religiosos vão condenar fortemente esse estilo de vida sexual, até ai tudo bem, não?

Só que aí entra o choque de posições, muitas pessoas tem uma vida sexual ativa desvinculada de dogmas religiosos e não veêm isso como algo imoral, dentre eles temos os ativistas que pregam a responsabilidade e levantam a bandeira da camisinha, O que devemos lembrar que não constitui ateísmo, Muitas pessoas acreditam em deus mas não vêem sentido algum, em muitos dogmas religiosos e acreditam que não serão julgados pela sua vida sexual, corte de cabelo, alimentação etc, mas sim pelo seu caráter.
[Uma pessoa pode ter uma vida sexual não-religiosa e ainda sim dar um banho de moralidade em muita gente que se diz temente a deus...]

Contudo religiosamente falando, o certo seria apostar na fidelidade... Mas as coisas não são bem assim, quantas mulheres/homens não pegaram AIDS dos seus maridos/esposas porque estes “pularam a cerca” e o fato de não usar camisinha permitiu que houvesse tal injustiça?

Vi um quadro do CQC onde se filmava a reação das pessoas à distribuição de camisinhas em frente a uma igreja e para variar, a gente ri para não chorar diante de tanta ignorância, uma mulher dispensou alegando que ela não precisava, pois confiava em algo muito maior que era Jesus Cristo...

Por Zeus! Jesus virou uma camisinha com efeito placebo?

É claro que se você perguntar para uma mulher que pegou Aids do marido porque confiava nele, ela não vai dizer que foi falta de fé em cristo. Possivelmente ela deve ter maturidade o suficiente para saber que são coisas diferentes (Pois aprendeu com seu erro) o que eu indago:

Por que não permitir o uso da camisinha entre os casados?

No final, a igreja tem que confiar na postura moral de seus fiéis, Então libera logo P%R#@!
Porque hoje em dia é mais racional apostar na camisinha do que na maturidade das pessoas em relação à vida sexual...

Ao contrário do papa eu sou realista, o preservativo não significa uma banalização do sexo pelo contrário, deixá-lo de lado pode sim, significar banalização...

Mas por que focar o sexo? Há vários outros lados da questão como por exemplo evitar a gravidez indesejada, o uso de preservativos ou anticoncepcionais criticados pela religiosidade são métodos seguros por que francamente, confiar em deus para a melhor hora da vinda de um filho pode não ser prudente...


Mas como ateu, sou suspeito para falar...




PS: As propagandas de incentivo a camisinha da MTV são bem estranhas não? O bizarro, é que são as únicas que fazem sentido...

PS2: NÃO! Não vejam a primeira idéia de imagem que tive para essa postagem que me veio à mente clicando aqui:

sábado, 25 de dezembro de 2010

Sim, ateu também pode comemorar natal rs



Feliz natal! rs


Pois é, “Por Zeus! Especial de natal” nunca sai do jeito que eu planejo. Fim de ano é tão corrido que não consigo fazer a postagem natalina. Por sinal, queria falar de toda aquela historia de Papa/igreja e “camisinha” (Fica para a próxima), pois é natal, pelo menos por meia hora (olhando o relógio) então vou fazer uma reflexão sobre essa data tão cativante...

Natal como todo mundo deveria saber é a tal data suposta do nascimento de cristo.

[Natal vem do latim e significa mais ou menos “nascimento”, daí o termo “pré-natal” para o acompanhamento médico de uma gestante... Ok, ok, Você já deve saber disso, mas acredite que há quem não tenha a mínima noção disso e devemos contribuir um pouco com a cultura aqui... Recentemente apliquei uma prova de português para uma colega e a ultima questão era uma proposta de redação cujo tema foi: “O significado do natal” e um aluno perguntou: “Professor, natal é o nascimento ou morte de cristo?” ... Acredite se quiser...]

“Suposta” por que a data (25 de Dezembro) não é conhecida como o aniversário real de Jesus e como várias outras questões bíblicas, foi alterada para corresponder a outros eventos de culturas pagãs (facilitando a conversão dos povos) ou simplesmente se adequar as vontades de Roma que como vimos em postagens anteriores era quem mandava.

Enfim, Natal religiosamente falando é a comemoração do nascimento de Jesus e engloba vários sentimentos interessantes, que eu poderia seguir a vertente desse blog e detonar com criticas sobre a hipocrisia das pessoas, impacto econômico etc.

Mas por incrível que pareça, eu gosto desse momento, sabem por quê?

O natal para eu que sou ateu não passa de um motivo para reunir a família, por sinal quanto mais velho eu fico mais importância eu dou para isso...

Embora minha família seja extremamente cristã, Há dois ou três anos que introduziram no momento de mãos dadas, pedidos, agradecimentos e oração a frase:

“E aqueles que não tiverem fé então comemorem essa reunião da família” e é isso que eu faço, principalmente por que ao contrário da maioria dos eventos religiosos, essa data tem uma tendência de não excluir, mas de incluir, de aceitar e tentar promover algum tipo de sentimento bom...

Infelizmente, poucos entendem isso e justamente aqueles que se dizem pessoas de fé...



PS: Se vocês acham, que hoje eu estou “careta”, preocupem-se, pois estão perdendo algo muito bacana...

PS2: "Sim, ateu também pode comemorar natal", O título dessa postagem foi a minha resposta para uma garota que surpresa pelo fato de eu ser ateu me perguntou se eu não comemorava natal, se eu "não dava e ganhava presente" ...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

E mais Política e Religião...


E mais política VS religião! A hipocrisia sobre a questão do aborto...

É... Para quem insiste que religião e política não têm nada a ver ou que “não se discute”, estamos testemunhando com as eleições o quanto estão intimamente ligadas, bastou certos questionamentos sobre o problema ético do aborto e o trem desandou, Os candidatos apelaram para a fé do povão que representa a maior parte dos eleitores, como é de se esperar em um país de 3º mundo.

Como religião não é algo relacionado com o desenvolvimento da consciência das pessoas, pelo contrário, cativa ignorância, Acaba sendo uma ótima arma política.
[Basta lembrarmo-nos da celebre frase de Karl Marx: “Religião é o ópio do povo”]

Serra começou ao exibir-se lendo um texto de cunho religioso em uma humilde casa, mas só a temática hipócrita do aborto foi capaz de baixar o nível de vez, Dilma vendo sua posição “mal interpretada” sobre tal assunto fez questão de se retratar e assumir que é contra, afinal o povão levando pelas comunidades religiosas poderia cair na rede do Serra...

Dilma foi a favor da descriminalização do aborto, usou até o termo de caso de “saúde publica” o que mostrava alguma inteligência de sua parte. Mas agora que alguns movimentos religiosos se voltaram contra ela, resolveu mudar de idéia RS
Já o PSDB de Serra propôs nos anos 90 a legalização do aborto, mas agora vendo estatísticas da eleição “pós discussão aborto “ parecem adotar uma postura diferente.
[Ora! No governo FHC, sendo ministro da Saúde, José Serra, foi introduzido o aborto na legislação, nas duas condições previstas em lei: em caso de estupro ou de risco de morte da mãe.]

A ex-presidenciável Marina foi à única que adotou uma posição coerente e democrática, ela era a favor do plebiscito, pois nesse assunto todos os brasileiros deveriam participar. O que deve ter dado um susto nos religiosos, pois seria a possibilidade da hipocrisia cair por terra, afinal, disse ela em entrevista:

“A discussão do aborto tem de ser feita de forma madura sem satanização”
[Embora seja evangélica note a maturidade intelectual dela sobre tal assunto que normalmente é caracterizado por postura ignorante e dogmática! Raridade...]

Na questão das armas de fogo, o povo preferiu garantir seu direito de retaliação a adotar a postura pacifica cristã que prega não a violência e obviamente deveria ser contra o porte de arma...

Ora, pense comigo, se mais de 60% dos brasileiros se dizem cristãos e nesse caso seriam contra o aborto, por que a mortalidade feminina é tão grande graças aos abortos em clínicas clandestinas?

“Para o Ministro da Saúde brasileiro, José Gomes Temporão, defensor da legalização do aborto, a descriminação do aborto deveria ser tratada como problema de saúde pública”

Segundo o debate MTV, uma a cada cinco mulheres admite já ter praticado um aborto... E as que morreram? Qual seria a verdadeira estatística desse problema Ético? Tanto PT como PMDB defenderam a descriminalização do aborto, nos lembra Ruth de Aquino na inteligentíssima matéria “Uma enorme hipocrisia eleitoral” na revista Época de 11 de outubro.

Porque é pura hipocrisia!

O povo banca ser moralista, mas na hora do “vamos ver” deixa tudo isso de lado, A igreja sabe muito bem que não tem mais “poder” sobre o seu rebanho e precisa que a lei dos homens (Política) proteja seus dogmas, é mais fácil fazer pressão no povo para eles votarem em alguém que vá manter dogmas religiosos por lei do que tentar “conscientizar” e mostrar que é uma prática errada.

Por incrível que pareça eu pessoalmente sou contra e questiono a prática indiscriminada do abordo, Mas acredito que algumas situações são complexas e merecem outra perspectiva, como por exemplo, o “aborto terapêutico” (Que a igreja também é contra) Mas, por isso mesmo eu sou a favor da legalização do aborto para que caia na alçada da consciência de cada um...

O que é tenebroso para os grupos religiosos...

Confiar no julgamento moral de seus fieis...



PS: A temática do aborto é tão complexa que merece uma análise detalhada, Quando começa a vida? Quando a mulher tem direito de interromper uma gestação? Qual a envergadura moral para não justificar o aborto em uma ótica não-religiosa e puramente ética? Veremos em postagens futuras para esclarecer dúvidas e a minha posição sobre esse assunto.

PS 2: Nas minhas aulas promovo debates sobre problemas éticos como corrupção, aborto eutanásia, homossexualidade etc. Evidentemente sou profissional e não coloco aos meus estudantes meus credos, simplesmente promovo pesquisa e discussão e fico fascinado como ao entender algumas questões mais a fundo eles começam a rever conceitos e buscar argumentos mais inteligentes ...

Acho que esse é um papel fundamental da Filosofia nas escolas, promover reflexão...

Veja os argumentos não religiosos contra o aborto, veja também os a favor e as implicações sociais de uma possível legalização...