Pesquisar este blog

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Engraçado, agora não foi deus...




Diante de tantas noticias acerca da tragédia no Haiti eu deveria escrever algo, necessariamente porque abordamos em algumas postagens anteriores sobre a estranha crença de que deus ou espíritos influenciavam na ordem climática, zombei até da questão do grupo espírita que garantiriam uma virada de ano sem chuva e da questão de deus mandar terremotos para punir pecadores, mas desisti da idéia em respeito à Zilda Arns... Porque reconheço o trabalho dela e temi que de alguma maneira pudesse ser cretino ou injusto.
[A coisa de bom que se pode tirar da religião são essas pessoas que tentam fazer algum trabalho desse tipo, seja em grande ou em pequena escala, Contudo, já discutimos que ser humano e solidário não é uma questão religiosa, podemos “ser do bem” sem ter religião e quando fazemos isso, temos um comprometimento mais honesto com a causa.]

Mas não deu...

Por quê? As frases estúpidas e obscuras das pessoas agridem não apenas meus ouvidos, meu coração sofre e me sinto desiludido com tamanha ignorância humana, e infinita...

A primeira foi a mais estridente:

Mas eles lá (Povo do Haiti) seguem aquelas religiões “umbandas” também...

Doeu não doeu?

Tem o que dizer diante de tamanha estupidez? Talvez elucidar a hipocrisia peculiar da maioria dos religiosos, Como diz minha amiga Cris, “Somos iguais diante deus, desde que sejamos católicos”.

Bem, a pessoa que me soltou a frase grotesca para começar achava que Haiti ficava para os lados da África, daí a idéia do umbanda, quando expliquei que não era bem assim (O catolicismo romano é a religião do estado, 64% seguido pelo Protestantismo 23 %) ela insistiu porque o repórter havia dito que lá eles praticavam o “Vodu”. Pois bem, fiquei na duvida embora em minha “ignorância” eu não veja ligação alguma com o terremoto pesquisei, e para minha surpresa, sim, há um “Vodou haitiano”... Mas apenas 5% dos Haitianos praticam... Será que deus mandou um terremoto porque 5% da população praticavam “Vodou”?
[Muitos pastores por aí devem estar falando a mesma idiotice, Afinal, já vi uns associando Barack Obama com o anticristo...]

De onde as pessoas tiram tanta asneira? Definitivamente somos estupidamente criativos...
[Recomendo a leitura das postagens anteriores onde abordamos essas idéias escrotas de deus e as forças da natureza]

A ultima delas (Vou comentar só duas) e mais simples, é a vinculada ao nosso cotidiano, (Senso comum), a clássica “Foi deus/milagre”...

Por Zeus!
Isso é uma %@#%$!

É engraçado como as pessoas gostam de dizer que foi deus que salvou fulano, sendo que do lado tem 50 mil mortos, o erro lógico nessa premissa é que se você afirma que ele fez algo, paralelamente tem a afirmativa que ele não fez nada, ou seja, ele salvou um aqui e deixou morrer 50 mil, Será que todos eram ruins e mereciam? Claro que não, não tem sentido nada disso.
[Engraçado, agora não foi deus (Tragédia no Haiti), mas todo mundo que sobreviver foi ele que salvou, louvado seja]

Plantão Por Zeus:

Acabei de escutar enquanto escrevo esse texto, um padre dizendo que a imagem de Jesus ficou intacta em uns destroços e que isso era uma mensagem... Dá ou não dá para ficar revoltado?
[O que me leva a pensar, Será quantas tvs sobreviveram? se só uma estiver funcionando pode ser um sinal de deus tambem...]

E esse é o nosso mundo, onde umas 5 bilhões de pessoas acreditam que tudo foi construído por um individuo onipotente que criou uma fazendo de formigas para brincar porque estava entediado com sua onisciência... Mas como toda criança ele ama a gente, ama seu brinquedo...
[Para aqueles que gostam das desculpas bíblicas como “deus escreve certo por linhas tortas”... Bem, isso não significa que ele escreveu em linha reta...]


É por isso que esse texto termina mais cedo, porque fico revoltado/ofendido/indignado com tanta estupidez e posso perder o nível diplomático...





segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

"Se Deus não existe, tudo é permitido."


Variando um pouco “Por Zeus!” apresenta uma crítica de filme, é claro que sempre dentro do nosso assunto preferido: O mito de deus!
[Receita das religiões para sobreviver: porque se a gente ficar abordando a mesma coisa da mesma maneira perde a graça]

O filme: Ano um (Year one) [Produzido por Judd Apatow e estrelada pelos atores Jack Black e Michael Cera . O filme tem direção de Harold Ramis e tem no elenco os atores Jack Black, Olivia Wilde, Michael Cera, David Cross, June Raphael, Christopher Mintz-Plasse, Hank Azaria, Oliver Platt]

O humor de Jack Black é legalzinho, mas acho que ele anda meio fraco de uns tempos para cá, contudo, Devo ressaltar pontos que achei engraçados além de “filosóficos” nessa comédia que aborda eventos bíblicos e vai nos levar a reflexão de hoje:

Sinopse: “Zed” estava cansado de ser um Zé ninguém em sua aldeia e decide comer o "fruto proibido", acontece que além de não ganhar qualquer poder ,ele é expulso da aldeia e parte pelo mundo a fora com seu amigo “Oh”,onde começam a encontrar personagens bíblicos como Cain e Abel, Abraão etc.


Cain é um personagem bacana uma vez que é um tremendo de um sacana. Mas o mais legal do filme talvez sejam os eventos sobre a figura de Abrão, um messias que parece mais um louco desses que encontramos nas ruas falando sobre deus, tanto que em determinando momento (Quando Abrão fala que todos devem ser circuncidados) Os protagonistas fogem dele na direção da famosa Sodoma.

Mas Oh lembra que: Ele disse que Deus ia ferir Sodoma com fogo sagrado!

E Zed sabiamente responde:
Deus também disse para ele cortar a ponta de seu pinto!

Zed busca por iluminação, na verdade acredita que já tem, enquanto Oh adota uma postura de estranheza e medo diante de todos os acontecimentos bizarros, ele parece ser o único que "pensa" embora pareça um bobo.
(Eles matam virgens em sacrifício para deus! Por que?)

Em determinado momento, Zed reconhece que não tem a tal iluminação e decide falar com deus em vão, o que leva a um diálogo no mínimo interessante:

Oh: Já lhe ocorreu que deus não está aqui?
Zed: Ele pode só ter se afastado.

Oh: Por quê?

Zed: Coisas de deus...

Oh: Qual o ponto de ser deus se você deixa as coisas acontecerem? Permita-lhe apenas colocar algo. Talvez deus não exista.


Definitivamente adorei essa colocação, “Talvez deus não exista”, será que sem deus as coisas perdem sentido? Ou como diria Dostoesky:

"Se Deus não existe, tudo é permitido."

É esse infeliz pensamento que distancia as pessoas da razão e as afoga na ignorância, deus muitas vezes serve como subsidio para justificar a “ordem”, contudo além de muitas vezes tal crença na verdade acabar gerando conflitos e intolerância, Nós podemos atingir “ordem” e “harmonia’ pela própria razão.

O filósofo Rousseau (1712/1778) acreditava que o homem selvagem por falta de sabedoria e razão, entrega-se ao primeiro sentimento de humanidade e que foi a sociedade moderna que o corrompeu. Bem, eu acho que ele acreditava no paraíso da bíblia, porque é uma visão muito romântica sobre o homem primitivo.

Já Thomas Hobbes (1588/1679) entendeu que construímos a sociedade por meio de um contrato social, e isso se dá pelo ato de razão (Capacidade de “pensar)’, o que nos difere dos animais é isso, inteligência, não precisamos nos matar, podemos viver e dividir e isso não sentido verdadeiro quando não vem da sua razão, da sua compreensão... Quando parte do principio religioso na verdade é uma “barganha com deus”, ou seja:


Vou ser bonzinho para não ir para o inferno, pois deus me ama, mas vai me jogar lá por toda eternidade se eu não fizer as coisas do jeito dele...


Por Zeus!


E muitas vezes ser bom e viver de acordo com os mandamentos de um livrinho qualquer não significa na prática ser uma pessoas sociável nos padrões de hoje em dia, só para lembrar, homens bombas se explodem em nome de um deus, mas nosso deus ocidental também não é muito pacifico, porque ele também manda matar quem não o aceita como único e verdadeiro, a diferença entre nos e os explosivos crentes de lá, é que tivemos revoluções religiosas e eles não, além de não lermos ao pé da letra (Embora eu não veja interpretações diferentes da literal quando leio levídicos por exemplo)
[No fim qual é o verdadeiro deus? O deles ou o nosso? A gente vai se dar mal pela eternidade se escolhemos errado! Ah! Mas você pode ter certeza que o deles é de mentira não é? isso porque você nasceu aqui, se tivesse sido lá, estaria se explodindo com sorriso na cara.]


Mas “supondo” que deus existe (tipo o do novo testamento) e que tudo é só amor como diz seus fieis, o que você acha mais valido, ou melhor, o que você acha que ele vai julgar como melhor: você ser honesto porque não quer ir para um inferno, ou porque encontrou reais motivos lógicos para não ser um cretino mesmo não crendo nele?

[A principal característica da religião é a hipocrisia]

Você entendeu não é? rs


Acho que divaguei e me esqueci do filme rs


Então para finalizar, nota para a colocação final do filme onde Zed dá uma palavrinha com as pessoas:

Não sou o escolhido, me desculpem pensei que fosse...
Mas vocês não precisam de mim, acho que podemos construir nosso destino...
Sim , talvez possamos ser todos o escolhido!
Você, e você.
Escolha seu caminho jovenzinho!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Falta "fé" em Copenhagen...




O mundo olha para Copenhagen, onde se espera que nossos lideres cheguem a conclusões boas para nosso planeta e esse poderoso inimigo, a “Ignorância humana”, possa ser combatido e quem sabe finalmente o dito homem moderno, ou “civilizado” seja capaz de assemelhar-se ao homem “Selvagem” que consegue viver em harmonia com a terra sem estragar tudo...


O mundo olha? Que exagero, algumas pessoas mais inteligentes conseguem se importar com isso.
[Aquelas que Viram “Avatar” e sacaram a mensagem do filme e não se perderam nos efeitos especiais e seqüências de ação (por sinal, muito maneiras!)]

Outras nem sabem direito que “rolo” é esse nessa “tal de Copenhagen”. Aí podemos elucidar a questão e usar o termo mais “pop”, e dizer que diante do “aquecimento global” fica cada vez mais necessário “discutir” o assunto...


“Mas as forças da natureza são vontade de deus...”


Como diria um senador Americano em uma rápida entrevista.


Por Zeus!
(Adiantado hoje)

Essa é nossa temática especial de inauguração do ano novo, entra 2010 já com uma situação “estranha”, para não dizer “estúpida” envolvendo as forças sobrenaturais! Trata-se do reveillion do Rio!


“Os prognósticos do Instituto de Meteorologia, que prevêem chuva na virada do ano, não preocupam a prefeitura, que confia nas forças espirituais da Fundação Cacique Cobra Coral para desviar as nuvens de Copacabana e garantir belo espetáculo...”


[A notícia completa aqui:
http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/12/29/prefeitura-do-rio-convoca-fundacao-cobra-coral-para-afastar-chuva-de-copacabana-no-reveillon-915390599.asp]


“Na Argentina, o espírito que a Adelaide diz incorporar estaria influenciando o desvio das nuvens”


Parem tudo!
Parem a reunião em Copenhagen!

É inadmissível que eles não consultem a prefeitura do Rio, afinal eles solucionaram um problema de forma extremamente criativa!
O governo deve chamar esse instituto aí, o “Cobra colorida”, sei lá, e criar um departamento de “organização climática brasileira”, por que não? Manda uma chuvinha para o nordeste, um solzinho para o sul e resolve-se tudo, nada de seca, nada de inundações...Afinal, convenhamos que uma festa de queima de fogos é mera futilidade diante das situações alarmantes que alguns estados brasileiros estão passando!

Porque parar por aqui? Médiuns na polícia! Já!


Imagine que praticidade, um médium troca uma idéia com o espírito de uma vitima assassinada e pede para ela revelar quem foi o assassino! Sem complicações com investigações que podem não levar a nada, temos a solução prática para isso!
E quando acontecer de alguém ser possuído por um espírito e fizer um crime, o veredicto do médium pode resolver, podemos tomar providencias e convocar espíritos de luz para punir o malfeitor!

Aê!


E eu vou deixar meias em uma lareira para o Papai Noel encher de doces para mim!


Aê!


Chega não é? Podemos falar sério agora?

É por essas e outras que o estado deve ser laico, para a gente ver que nossos lideres não acreditam em fadas, ou que se eles acreditam, não tomem decisões baseando na idéia de que fadas existem, deu para entender?
O filósofo/escritor Voltarie (1694 /1778) que não era ateu, mas que por sua inteligência criticou a postura da igreja que alegava que um terremoto em 1755 em Lisboa, teria sido uma punição divina contra os pecadores, pode perceber há mais de dois séculos atrás que deus não está relacionado com essas coisas, Contudo hoje em dia tem gente que ainda capacidade de dizer o contrário.

Alguns anos atrás aconteceu algo parecido em New Orleans nos EUA, um padre disse que enchente foi enviada por deus...
Pois é, então deus está muito mal humorado esse tal de aquecimento global é uma invenção desses metidos a intelectuais, provavelmente tem dedo de ateu na história não é? As coisas não acontecem por que o ser humano é um ignorante irresponsável não...

Deve ser por culpa do capeta...



Um ótimo 2010 para todos!


Se Zeus/Odin/ Rá/Javé/Enma Daymio/médiuns/x-men (Coloque seu deus favorito) deixar...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Mitos sobre deus ou Mito de deus?




Essa tirinha e muitas outras legais estão aqui:
http://www.umsabadoqualquer.com/



Estava eu contente e feliz pensando em fazer um “Por Zeus!” especial de natal mas acabei me perdendo em outras coisas até que novamente aquele meu velho amigo (Abraço Marcelo) me ligou para dizer que tinha em mãos mais uma revista da Época (Ela novamente) com conteúdo que me interessaria, qual era?

“Sete Mitos sobre DEUS – Um novo livro desvenda a persistência da fé e expõe a fragilidade dos ataques recentes à religião”.
[Ual! O subtítulo me chamou atenção, eu chamaria todos os ataques recentes feitos à religião por muitos nomes, mas não usaria o termo “fragilidade” para descrevê-los, mas sou suspeito para falar não é mesmo?]

Então tomado por minha curiosidade filosófica li detalhadamente a matéria esperando algum acréscimo à minha vida, mas só pude constatar que muitos escritores e jornalistas duvidam da inteligência de seus leitores, mas sabe de uma coisa? Não os culpo.

Em que consiste a matéria? Basicamente promover o novo livro de Karen Armstrong intitulado “The case for God” (Algo como: “Uma defesa para deus”) um de muitos que estão por vir com o intuito de “defender deus” e se contrapor ao “fenômeno ateu” que parece estar chamando atenção, Exemplos desse fenômeno ateu? “Deus um delírio” de Richard Dawkins, o inteligentíssimo Sam Harris e outros dois que eu não conhecia, mas que graça matéria vou procurar saber mais, Daniel Dannett e Christopher Hitchens. Povo que ficou conhecido como “Cavaleiros do Apocalipce”!
[Não! Não! São só quatro! não tem espaço para eu não?! Uma honra que eu não vou ser privilegiado, ainda bem que aprendi a conviver com as dores do mundo...rs]

Logo no começo, achei interessante que o autor do artigo gostou da Karen e usa a expressão: Karen faz o MELHOR contra-ataque às teses do grupo( Novos Ateus)” o que já adianto para meus leitores aqui que está muito, MUITO longe de ter sentido para ser exato se isso é o melhor que está por vir nessa idéia de defesa de deus , coitado dele ... Mas ainda não li o livro então considere meu comentário impertinente como apenas especulação singela. Compartilho com vocês essa minha impressão através de uma abordagem dos pontos interessantes da matéria:

A Dona Karen diz: “Eles (Novos ateus) infantilmente concebem Deus como um ser poderoso que os homens não conseguem enxergar” e o autor acrescenta que segundo ela o erro é analisar os textos sagrados em sua literalidade.

Rs

Acho que está havendo uma inversão de valores/crenças aqui, Gente, ateu não concebe deus de qualquer maneira, para ser exato, do lado daqui nós vemos que as pessoas "concebem infantilmente a idéia de um ser poderoso invisível". Quanto à “literalidade” de textos “sagrados”, já comentamos isso antes, usei o termo “Divina sinuca de bico” porque se você segue o treco literalmente se depara com as contradições mais bestas do mundo, mas se a interpretação é livre vira um caos obvio.

Para Karen a ciência suprimiu o mito que seria a capacidade humana de vislumbrar o inconcebível e que no confronto entre ciência e religião nos afastamos das formas puras da fé e que razão e fé sempre foram complementares , a ciência teria seqüestrado a religião da vida das pessoas! Segundo ela, o avanço da ciência “cerceou nossa mente e restringiu seu alcance a fatos empiricamente comprováveis”.

Quem dera isso fosse verdade, as pessoas se demonstram cada vez mais ignorantes em relação a ciências, muitas vezes simplesmente não demonstram qualquer espírito filosófico, (curiosidade) para compreender a real natureza das coisas, Quer ver? Pergunte para as pessoas o que é “empírico”.
[Alguns dos meus alunos poderiam responder, o que já é uma vitória para mim, um dia quem sabe, todos eles...]

Em que consiste a teoria da evolução das espécies? Ela é mesmo “teórica”? Para que apelar, vamos a algo simples, peça a alguém que faça uma regra de três! Vai se assustar... As pessoas têm preguiça de pensar, daí um terreno fértil para qualquer crença em deus o que me leva a outro ponto em que concordo com ela mas hoje em dia isso fica cada vez mais questionável:

“Somos, por natureza, criaturas em busca de sentido, o Homo sapiens é também, o Homo religiosus”.

Evidentemente buscamos sentido! Somos seres pensantes ou pelo menos deveríamos ser! Temos consciência de nossa existência e capacidade para buscar respostas! A religião é apenas um lado preguiçoso do ser humano, a crença é comodismo cultural, Mas a crença pode ser atingida por alguma reflexão, Eu mesmo quando me desvinculei de religiões desenvolvi uma crença em deus baseada em uma reflexão, Contudo reflexões posteriores me jogaram para o “lado negro da força” rs.

Continuando com a Karen:

“A religião não existe para explicar a origem do universo, Esse é o papel da ciência (...) Religiões nos ajudam a lidar com os aspectos da vida para os quais não existem respostas fáceis: a morte, a dor o sofrimento, as injustiças da vida e as crueldades da natureza”.

...E Piora:

“A razão pode até nos curar do câncer (...) Mas não nos ensina a agir ao receber seu diagnostico nem nos ajudar a morrer em paz”.

Por Zeus!

Gente, Promover a não reflexão para justificar deus pode ser um modo de defender qualquer crença nele. Pior é alegar que existem questões irracionais, o que existe é mau uso da razão!
Sentimento acerca da morte? Ela nunca ouviu falar em Heidegger e seu “ser para a morte”? Nós ateus vamos ficar desesperados com essas questões? Vejo as pessoas religiosas não saberem lidar com a morte ou com a dor e os sofrimentos do mundo e eu tenho que ir lá e dar um apoio... No mundinho da Karen eu não existo.

Sinceramente pelo currículo dela eu espera uma maturidade incrível, mas vejo que sua abordagem é a clássica “linguagem de parquinho”, ela usa os mesmos argumentos tanto para defender deus quanto para atacar a postura ateia que muita gente já usou.
[Sugestão, leiam: “10 mitos e 10 verdades sobre os ateus” de Sam Harris que postei nesse blog a algum tempo http://marcosohades.blogspot.com/2009/06/10-mitos-e-10-verdades-sobre-o-ateismo.html]

Eu tenho muito a dizer sobre os “Sete mitos” dela, mas deixo para vocês conferirem pessoalmente (Propaganda? Não trabalho para Época não rs).Vou me limitar a tecer um comentário sucinto e futuramente quando ler o livro posso fazer uma postagem mais pomposa, estou limitado pelo resumo da própria revista:

Mito 1: Deus está Morto

Ridículo, para começar por usarem a expressão “desespero” para os ateus em não encontrarem o “sentido da vida”. Não explicaram a origem da frase de Nietzsche e seu contexto deixando tudo meio vago para a maioria dos leitores.
Interessante a colocação de alguns teístas em consideraram que a morte da fé acontece, mas não a de deus. Parabéns é isso aí.
[Mas devo ressaltar que algo que não existe não pode ter morrido rs, mas se a gente ficar brincando de abstrações metafísicas, deus existe sim, na esfera do Papai Noel, do coelhinho da páscoa, ou seja, ele vive!]

E novamente vem aquele papo de:

"A crença em Deus é um acessório original de fábrica do ser humano, e não um item opcional. Todos nascem crendo".


[Mas que droga! é dificil para esse povo entender o simples? A gente não nasce crendo não, adquirimos deus como um time de futebol! Vêm da criação , onde, quando, experiências de vida etc. "Mas", escutem bem, "Mas" a inclinação para "buscar a verdade" está sim no espirito humano, é o que nos diferencia dos demais seres, nossa capacidade de reflexão sobre nossa própria existência, destino e origem dela, isso, se você consegue usar um pouco da massa cefálica em sua cabeça pode entender que isso não significa que "nascemos crendo em deus", Por Zeus!]

Mito 2: As religiões estão renascendo

Não sei se renascendo, acho que estão se ramificando em mais vertentes.Porque há “desespero” em não encontrar o sentido da vida rs ai surgem mais teorias e mais religiões ! rs
O que me lembra que eles apontam o ateismo como "desespero" em não encontrar o tal "sentido da vida", mas como diz nosso amigo Sam Harris:

"Pelo contrário: são os religiosos que se preocupam freqüentemente com a falta de sentido na vida e imaginam que ela só pode ser redimida pela promessa da felicidade eterna além da vida. Ateus tendem a ser bastante seguros quanto ao valor da vida. A vida é imbuída de sentido ao ser vivida de modo real e completo. Nossas relações com aqueles que amamos têm sentido agora; não precisam durar para sempre para tê-lo. Ateus tendem a achar que este medo da insignificância é... bem... insignificante."

A era New Age vem após a decepção do homem com a ciência (bomba atômica, por exemplo) aí as pessoas passam a se inclinar para o lado da espiritualidade... Não todos.
Ao contrário do que foi dito, não é porque o conhecimento que brota da ciência é limitado, mas a meu ver é porque o conhecimento que as pessoas têm de ciência que é limitado.

Mito 3: Por que uns crêem e outros não?

Nota para a idéia de que:
Até o ateu, mesmo inconscientemente busca pelo criador”.

Vamos tentar novamente: Buscamos pela verdade, se vocês querem chamar isso de “criador” tudo bem, é apenas uma questão de termos, fiquem atentos a isso. Joguetes de palavras são sempre usados para “obilubilar” à mente, Entenda que eu posso buscar pela verdade e que a idéia de um deus pode não estar ligado a isso... Acho que não é muito difícil entender isso, mas eu posso fazer um desenho...


Mito 4: Deus e política não combinam

Discordo dela, acho que não “depende”. Afinal o “Estado” deve ser desvinculado da religião porque o estado é “Todos” e nem “Todos” seguem a mesma religião, obvio não é? Indico minhas postagens sobre Laicismo e religião nas escolas etc.
Insisto que deus e politica não combinam.
http://marcosohades.blogspot.com/2009/07/another-brick-in-wall.html

Mito 5: Deus semeia a violência

Ela diz: “Ele não, os homens sim”. Aconselho a leitura da Bíblia e do alcorão, por exemplo, Acho que deus/Javé e Alá são bem claros quando mandam matar.
[Engraçado, ela é erudita em teologia e não leu essas coisas? Deve ter ficado só nas partes “bonitinhas” de “amar ao próximo” etc]

Mito 6: Deus oprime as mulheres

Tudo muito óbvio, nem ela apresentou qualquer novidade no assunto.
[Há algum tempo planejo fazer uma postagem sobre esse tema, aguardem]

Mito 7: Deus e Ciência são excludentes

Gostei da frase do João Paulo II “A fé sem ciência é ingênua (...) A Ciência sem fé é fria e desumana”, A segunda parte é filosoficamente questionável, mas eu gostava dele e seu jeito de ficar em cima do muro e ser gente fina com tradicionalistas e inovadores. Novamente chamo tio Harris para comentar a questão e para mostrar que essas questões são repetidas, não há nenhuma novidade no "diálogo" entre ateus e teístas:

"Apesar de ser possível ser um cientista e ainda acreditar em Deus – alguns cientistas parecem conseguir isto –, não há dúvida alguma de que um envolvimento com o pensamento científico tende a corroer, e não a sustentar, a fé. Tomando a população americana como exemplo: A maioria das pesquisas mostra que cerca de 90% do público geral acreditam em um Deus pessoal; entretanto, 93% dos membros da Academia Nacional de Ciências não acreditam. Isto sugere que há poucos modos de pensamento menos apropriados para a fé religiosa do que a ciência."

Mas o interessante dessa parte é a colocação do autor em enaltecer como “uma das mais belas passagens de seu livro” aquela frase idiota que eu comentei ali em cima sobre, a razão achar cura para câncer, mas não lhe preparar para a questão da morte...


É isso aí...

Me desculpem se ofendi alguém, posso ter passado dos limites com sarcasmo e ironia, não só nessa postagem de hoje como em todas as outras, Me desculpem de coração! Mas é o que eu disse na postagem anterior é apenas meu ponto de vista, Quando leio essas coisas é como se houvesse uma ofensa à minha inteligência, é difícil me controlar.

Devemos saber a diferença entre religião e crer em deus, não há espaço para generalizar qualquer coisa diante da diversidade humana... É o nosso título, estamos falando em "Mitos sobre deus ou Mito de deus?"

Se você “crê” em deus espero que saiba trabalhar isso de uma maneira positiva para você e para as pessoas que te cercam...
Eu sei trabalhar minha “não crença”, não estou “desesperado”, não estou perdido com “falta de sentido da vida”, e o mundo, a existência, a vida não me parece mais terrível do que parece para você, Até acho que lido melhor com isso do que a maioria das pessoas...



“O mundo é tão lindo e maravilhoso quanto feio e pecaminoso”


Abraço
...e boas festas de fim de ano.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

"Stress Divino"




Por Zeus! Nasceu da minha vontade de expressar as situações estranhas e cômicas que eu como ateu costumo passar, Afinal em um mundo onde mais de 90% das pessoas acreditam em alguma espécie de deus ou “consciência” onisciente/onipotente que rege a natureza, pessoas como eu ficam meio deslocadas.
Eu escuto freqüentemente o “Vai com Deus!” ou “Se Deus quiser” e muitas vezes as pessoas nem imaginam que sou ateu, pois procuro ser mais reservado e evitar esse tipo de dialogo, a menos que isso me afete de alguma maneira. Afinal, não há muito sentido em sair por ai querendo provar para as pessoas que deus não existe porque já me acostumei com a idéia de que raramente terei algum dialogo inteligente com isso.

Basicamente é como se eu vivesse em um mundo de crianças acreditando no Papai Noel e elas brigam comigo quando digo que não tem sentido uma coisa dessas, alegam que existe velhinho de vermelho, que existem trenós e renas e conseguintemente que há um velhinho de vermelho em um trenó com renas que voa! Muitas vezes elas simplesmente ganharam um presente e acham que por isso o velhinho de vermelho que voa e dá presentes existe! 
(Note que dei uma de Platão aqui, com alegorias expliquei algumas provas da existência de deus rs)

O que eu quero dizer com isso?

Bem, é apenas apresentar minha perspectiva sobre as diversas situações idiotas que testemunho dentre elas, a mais recente que comento agora:

Essa semana eu ouvi uns conselhos “estranhos”, Como sempre com as melhores intenções possíveis, contudo, “estranhos”.
Disseram-me que professores sofrem facilmente de stress e que deveríamos tomar cuidado para não somatizar tal coisa (Afinal sabemos hoje que esse tipo de coisa acarreta em doenças físicas) até ai nada de errado, o problema foi as “Quatro receitas para viver bem” e adivinhem qual foi à primeira?

...deus, ora!

(Na mesma hora me veio o fato de que sou menos estressado que a maioria de meus colegas teístas mas tudo bem)

O discurso ficou bem mais sem sentido quando entrou na fase de “demonstração” do poder divino (Ou simplesmente existência de deus). Me foi relatado os seguintes casos para reflexão, Casos estes que busquei na net e transcrevo aqui para reflexão em conjunto:

JOHN LENNON: Alguns anos depois de dar uma entrevista a uma revista americana, disse: "O cristianismo vai se acabar, vai se encolher, desaparecer. Eu não preciso discutir sobre isso, eu estou certo. Jesus era legal, mas suas disciplinas são muito simples. Hoje, nós somos mais populares que Jesus Cristo.(1966)". Lennon, depois de ter dito que os Beatles estavam mais famosos que Jesus Cristo, recebeu cinco tiros de seu próprio fã.

Todo mundo vai morrer um dia e estatisticamente, os Beatles devem ser tão famosos quando Jesus cristo mesmo depois da banda ter acabado. Afinal, qual o problema disso? por que deus ficou tão nervoso com isso? Deus anda muito mimado para meu gosto...

TANCREDO NEVES: Na ocasião da campanha presidencial, disse que se tivesse 500 votos do seu partido (PDS), nem Deus o tiraria da presidência da República. Os votos ele conseguiu, mas o trono lhe foi tirado um dia antes de tomar posse.

Bem, mais uma vez digo que todo mundo vai morrer um dia, e que se deus for matar todo mundo que usa o nome dele em vão o mundo vai virar um deserto! Veja bem, considerando que o deus verdadeiro é esse e não Zeus ou Alá ou quem sabe Rá...

O CONSTRUTOR DO NAVIO TITANIC: Na ocasião em que foi construí-do, apontaram-no como o maior navio de passageiros da época. No dia de entrar em alto-mar, uma repórter fez a seguinte pergunta para o construtor: "O que o senhor tem a dizer para a imprensa concernente a respeito da segurança do seu navio?". O homem, com um tom irônico, disse: "Minha filha, nem se Deus quiser ele tomba o meu navio". O resultado foi o maior naufrágio de um navio de passageiros no mundo.

Então deus matou 1.523 pessoas só porque alguém da “Harland and Wolff” (Construtora do Titanic),“zuou” com a cara dele? ACHO QUE DEUS QUE É ESTRESSADO! Ops! melhor eu começar a ficar com medo certo? Seguindo...

BRASIL/2004: Aconteceu na cidade de Londrina/PR uma cidade de 500 mil habitantes um fato que chamou muito a atenção dos bombeiros no inicio do mês de setembro de 2.004. Uma jovem de 19 anos que começou a beber e usar drogas saiu para mais uma de suas "noitadas" com mais quatro jovens entre eles um menor de idade, com apenas 13 anos de idade. Os rapazes passaram em sua casa chamaram a moça e pelo que tudo indica já estavam embriagados com o som do carro em alto volume e bebendo. A mãe da moça desesperada acompanhou-a até o carro e disse a seguinte frase para eles: Deus acompanhe vocês... Ouviu-se uma gargalhada dentro do carro e a moça tirou a cabeça para fora e disse para sua mãe: - Só se ele for ao porta-malas, porque aqui está lotado... Não demorou muito o motorista em alta velocidade perdeu o controle do carro em uma avenida e bateu de frente em um poste, os cincos ocupantes do carro vieram a falecer. Havia drogas e bebidas dentro do carro. Quando a perícia técnica e os bombeiros chegaram ao local ficaram surpresos, pois o carro estava totalmente destruído, mas o porta-malas estava intacto. Quando os bombeiros abriram o porta-malas ficaram assustados com o que viram: Havia dentro do porta-malas uma bandeja com 34 ovos e nenhum deles se quebrou.

Essa é ótima! Bebida e direção não combinam ok? Isso não tem nada haver com deus. Com tantos casos de acidente de carro deve haver uma probabilidade lógica para porta malas ficarem intactos, principalmente se carros baterem de frente eu suponho, Mas o mais engraçado disso é que faço piadas semelhantes há anos e deus é bonzinho comigo não me matando, vai ver porque tenho “manha” com piada e ele ri, coisa que não deve ter acontecido nos casos anteriores...

Por Zeus!

Vocês perceberam a natureza idiota desses discursos de incentivo a fé? Acho que até os crédulos podem concordar comigo quando digo que essas besteiras não justificam a existência ou manifestação de deus.
Me é aterrorizante ver discursos como esses serem proferidos com seriedade e sacralidade por pessoas até então inteligentes. Conseguem imaginar como me sinto?

Não é irônico? Então posso dizer que deus me deixa estressado...







PS: Quais são os outros três “trecos” para viver bem? Caminhar, nadar e massagem...

PS 2: A foto é a do iceberg que supostamente afundou o Titanic...



sábado, 24 de outubro de 2009

É matemáticamente viável acreditar em deus...




Há muito tempo já havia escrito algumas postagens para um blog ateu, por sinal “Por Zeus!” chegou a existir há muito mais tempo, contudo, por uma questão de tempo não segui com o projeto e acabei deletando o blog.
(Por sinal, uma situação que voltou, mas não vou largar o blog rs)

Mas resolvi retornar e como havia perdido meus esboços tive que começar do zero, mas me lembro de alguns e hoje retorno uma dessas idéias que abriria margem para uma nova seqüência!

Sobre os argumentos a cerca da existência de deus! Sim! Porque deus é uma teoria, e o ônus da prova cabe ao teísta. Ou seja, não sou eu que tenho que provar a inexistência de deus, mas sim que provem que ele exista, uma questão até lógica uma vez que nada é obvio ou explícito nesse assunto, Afinal viu deus hoje? Eu não...
(Há claro, “sinais” não é? Você “sente” não é? Ok...)

Iniciamos com um clássico no mundo da filosofia, o argumento matemático de Blaise PASCAL (1623/1662), algo que eu já tinha visto e lido certa vez na faculdade, mas não dei importância porque achei “bobo” demais, só fui dar atenção ao ler a revista FILOSOFIA, Ciência & Vida N° 27 que tinha uma entrevista com Luiz Pondé onde em um determinado momento esse assunto é tocado, e para nos esclarecer essa questão, usarei as próprias palavras dele:

“Pascal era um matemático, está nas bases do calculo infinitesimal, era um cientista de fato. Sua aposta consiste no seguinte: Se você apostar que Deus não existe e viver como se Deus não existisse, aparentemente você ganha porque fez o que quis da sua vida. Agora, se apostar que Deus não existe e Deus existir, ai perde tudo. Porque a sua vida aqui é finita, mas você vai perder infinitamente no pós-morte. Isso quer dizer que racionalmente, do ponto de vista matemático, a crença em Deus é muito melhor do que a descrença em Deus porque se deus existir você perde sua condição infinita, com isso ele quer provar que toda vez que você aposta contra o infinito você perde. E como o infinito está em jogo, ou seja, a imortalidade da alma, apostar contra ela te leva sempre a perder, porque ela é infinita...”

(Obrigado pela contribuição, Eu não explicaria melhor, pelo menos não sem debochar)

Tem sentido? Por um lado simplista até que sim, mas vamos problematizar esse argumento com duas questões básicas que sabe se lá porque Pascal ignorou:
Primeiro: De qual deus estamos falando?

Sim! Porque não é uma questão de crer ou não crer em deus, mas de crer e não crer em qual deus? Seguir um modo de vida de acordo com qual doutrina religiosa? Bem, esse cálculo deixou de ser uma continha para virar aquelas equações que o professor passava no quadro e a gente nem sabia mais onde tinha começado. [Os homens bombas não devem contestar a lógica desse argumento, contudo, o deus deles não parece com o deus de um monte de gente...]

Segundo: A crença é necessária para a conduta moral?

Na época medieval, o homem moral era apenas o homem temente a deus (religioso), mas bastou à “Idade das trevas” dar lugar ao “Século das luzes” (Iluminismo) para entendermos que a moral é Laica, independente de religião, pois pode ser basicamente desencadeada pela própria “razão”. Logo, um ateu pode viver uma vida sem crer em deus e acabar seguindo uma postura religiosa de certa maneira, Por Zeus! E o que deus diria?

Você vai para o inferno por não crer em mim!
(God)


Mas eu fui uma boa pessoal, honesto, um pai amável e esposo fiel...

(Ateu surpreso)


Não interessa! Você não me louvou nos domingos
(Ou sábados se preferir)
Vai para o inferno!
(God)

Acho que isso não tem sentido algum não é mesmo? Pascal como tantos outros foi um gênio, mas tinha umas idéias estranhas, Não estou criticando ele enquanto filósofo (Muito menos Luiz Pondé, que usei aqui apenas para elucidar a questão), meu foco aqui é o argumento dessa questão. Acho que não precisamos prolongar essa questão...

Na próxima postagem, algum outro argumento clássico sobre a existência de deus... Sobre a “perfeição” do mundo, a necessidade de um “início”, “sentido da vida” etc.
Abraço

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Não se discute Política e Religião...Só Futebol


Depois da minha crítica à matéria da revista época sobre “A fé que faz bem a saúde” um amigo me passou outra edição com uma matéria que seria do meu interesse, intitulada “Deus é pop”. Não achei nada demais em uma primeira vista, comecei até achar legal algumas coisas mas fiquei aborrecido com algo...

Segundo a matéria, pesquisas recentes feitas por um instituto alemão mostram que os jovens brasileiros são religiosos (95% contra os 99% que mencionei em postagens anteriores rs) e que “Deus é Pop” .

Até ai tudo bem, não dou a mínima para modismos, de certa maneira me doe o coração o mal de tanta hipocrisia coletiva, Afinal segundo a mesma pesquisa 65% dos jovens se dizem “profundamente religiosos”, você acredita? Eu não, Mas o que realmente me chamou a atenção na matéria da revista foi que em uma das pesquisas mostrava que para os jovens a religião é mais importante que política.

Ora! Transcrevo isso da seguinte maneira “Que reivindicar/lutar pelos nossos direitos o que! Vamos rezar e confiar em deus!”.

Bem, esse era o pensamento medieval dos ignorantes por sua vez era energizado pelo povo esperto que tinha tudo e se mantinha nas costas dos pobres coitados, afinal, “Felizes são os pobres porque deles é o reino do céu” não é mesmo?
Até entendo isso me baseando em dois fatores: O desinteresse por política é típico em países subdesenvolvidos, é comum perder a esperança e desacreditar na Política e coisas a fins é o tal do sentimento “As coisas não mudam”.

Aí “entra um consolo” (literalmente falando porque no fim a gente leva ferro) que é a religiosidade. Muitos conhecem a celebre frase de Karl Marx “A religião é o ópio do povo” que infelizmente tem um alto teor de verdade. Eu deixei de ser marxista há muito tempo principalmente porque me desapeguei da idéia de um “sistema” como uma “entidade consciente” ou que exista “ricos” motivando a ignorância dos pobres para se manterem no alto da pirâmide. Hoje em dia, o nosso problema é ignorância que gera ignorância e mantêm um circulo vicioso de difícil ruptura. O povo ignorante vota em pessoas ignorantes que não vão consertar os erros do sistema, mas que vão na maioria das vezes manter o erro ou até piorar a situação.
Segundo, é muito confortante deixar tudo na mão de deus, frases como “Se deus quiser”, “Foi à vontade de deus” estão tão presentes no nosso vocabulário como “Bom dia” (Acredito que até mais). Além do mais, em um país com uma criminalidade em alta ter deus ou anjo da guarda nos protegendo do mal é muito confortante.
[O que me lembra a piada do Gentile sobre o papa móvel ser à prova de balas “Poxa! Se deus não protege nem o Papa eu estou fudido!”]

Aí Está! deus quis que uns meninos de rua passassem fome, crescessem revoltados e cometerem atrocidades? Não, isso é um exemplo de uma questão social que diz respeito ao mundo material, por sua vez, de nossa responsabilidade. Deixar na mão de deus é fugir dos problemas, é fugir da realidade e viver no faz-de-conta...
[Não é surpresa que em países de primeiro mundo as porcentagens de ateísmo chegam a valores consideráveis]

Percebemos o grau de alienação, muitas vezes as pessoas não desenvolvem qualquer reflexão sobre suas crenças, sobre o tal deus, mas são capazes de confiar nele como a coisa mais real e exata da face da terra! Por Zeus!

Mas sabe de uma coisa? Tudo isso é uma grade hipocrisia, (Um atributo freqüente da religião) duvido realmente da validade da conclusão da matéria. O povo se dizer religioso, mas não é tão simples assim, faça a pergunta “Acredita em deus?” e a maioria responde que sim, mas basta fazer algumas perguntas mais “profundas” sobre isso e as pessoas não sabem responder, simplesmente por que a crença é um comodismo cultural.

Quer ver?

Um dos gráficos a cerca do “Credo do jovem brasileiro” mostrava que 66,2% eram católicos, apenas 18,8 protestantes e que os 15% restantes se dividiam em:

7,9% “Sou religioso, mas não sigo nenhuma” (A opção: Lado independente de religiões do Orkut) Tenho a impressão que essa porcentagem devia ser mais alta.
4,0% Ateu, Não têm religião (Tudo isso? Pega o champanhe!)
1,4% Espírita (Para tudo! Sério? Esperava um número bem maior)
1,4% Outros e 0,3% não sabiam opinar.

Paralelamente, a esse gráfico temos outro com questões específicas como a reencarnação, nele percebemos que 67% acreditam que tiveram outras vidas, ou seja: “Estranhamente” apenas 4% são Espíritas, porém mais da metade acredita em “reencarnação” algo que não consta na doutrina católica!!!

Aêêêê! As pessoas não sabem nem no que acreditam direito!

Uma coisa é você acreditar em deus e outra é ser religioso, se você acredita na bíblia então devia saber mais sobre ela para entender qual é a dos dogmas e regras religiosas seja qual for a sua vertente de interpretação. Acho muito interessante que algumas “igrejas” estejam aceitando os homossexuais, por exemplo, muito legal (Eu não tenho nada contra), contudo sabemos que deus (Javé, Jeová etc.) proibia isso e não creio que a passagem bíblica seja aberta a uma interpretação diferente, é bem claro o que ele diz e manda fazer nesse caso.
(Mas se a gente fingir que não existe o antigo testamento podemos ficar só com o carismático Jesus, que no final das contas está me saindo um filho rebelde e contradizendo as vontades do pai que criou a legislação divina, pelo menos o povo gosta de interpretar assim)

Ou seja, o povo não entende nada de Política e nem de Religião, mas saca de futebol, que é uma beleza! O que me lembra: quanto que é 10% do que o Kaká ganha? Imagina o dizimo que ele paga para o Pastor! E mesmo assim o teto daquela igreja era vagabundo?

Lembrando das questões sobre religião e escolas das postagens anteriores, proponho mais uma coisa obvia que não entendo porque não é regra: Deveria ter uma disciplina sobre Política nas escolas, não Política em si, algo como “Cidadania” embora esses conteúdos sejam previstos em Sociologia e Filosofia, deveriam ter um enfoque maior, bastava tirar essas aulas idiotas e completamente inúteis de religião e teríamos espaço para tal coisa;

Mas como disse, o sistema é um circulo vicioso da ignorância e mesmo que pintasse um governante com essa concepção racional, a “idiocracia” ia achar ruim...