Pesquisar este blog

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

A ilusão do eu

 



Talvez você já tenha sido convidado a refletir sobre quem é você, sobre como se define subjetivamente ou até mesmo em um sentido maior, sobre o que é o ser humano e isso o levou a pensar no que você realmente é.

Em tal questionamento temos pessoas que rapidamente começam a descrever características peculiares em uma tentativa de esculpir sua personalidade, seu “eu”. Enquanto outras entram em um estado introspectivo por não acharem simples fazerem esse levantamento e explicar exatamente o que as torna quem são.

No primeiro grupo de pessoas, temos a ilusão de que se possa reduzir qualquer pessoa a um grupo de adjetivos simplórios que muitas vezes nem elas mesmas têm certeza de possuir, “Eu sou uma pessoa honesta e sincera”, será que você é tão verdadeiro assim ao ponto de considerar isso uma marca específica de sua personalidade? 

Já no segundo grupo de pessoas temos uma postura mais lúcida, de que talvez seja bem complicado reduzir uma pessoa a uma lista de característica. Isso é uma constatação de que talvez o “eu” seja uma ilusão.

Filosofias muito antigas já promoveram essa ideia, no Budismo por exemplo a constatação de que estamos em constante transformação é a base da ideia de que não temos como dizer o que um a pessoa é, pois embora as convenções sociais (principalmente religiosas) postularam que existe uma “essência” ou alma, no fundo somos apenas um conjunto de elementos em transformação. Nosso corpo, nossas ideias, as sensações e percepções estão em constante mudança. Logo, o “eu” é uma ilusão.

Mas deixando Buda e a polêmica reflexão teológica que pode gerar de lado, realmente mudamos muito com o tempo o que já é a marca de uma inconstância do “eu”, essa “coisa” por detrás dos seus olhos não só sofreu transformações com o passar dos anos (mesmo imperceptíveis) como ela é bem mais do que características que os outros lhe atribuem, ou que você mesmo acredita possuir.

Voltando ao exemplo, uma pessoa não é 100% honesta o tempo todo, afinal, todos nós nos deparamos com situações em que a honestidade pode vir a ser uma grosseria perfeitamente evitável e optamos por não falar a verdade, só aí ela já deveria reconhecer a inconstância de se enquadrar, talvez assumir que é alguém que tenta ser o mais honesto possível. Outra pessoa considerada extremamente pacífica não está a salva de um surto de violência ao passo que outro ser considerado agressivo pode demonstrar surpreendente certa empatia e benevolência quando todos esperariam o oposto dela.

Somos tão suscetíveis às situações ao nosso entorno que qualquer sustentação de um “eu” fixo cai por terra, afinal, posso ser uma pessoa muito calma, mas em um determinado momento posso estar muito nervoso e agir em contradição com o que esperam de mim ou melhor, com a ideia de pessoa que criaram de mim.

Podemos ter uma ideia de quem são as pessoas, mas na verdade é apenas uma ilusão, pois somos escravos de nossas percepções em relação a elas e eventualmente nos surpreendemos quando elas não agem de acordo com o que esperamos delas.

Talvez o mais perto da construção do eu seja realmente essa busca por adjetivos simplistas, mas veja que loucura é pensar sobre isso: Esse “eu” que vos escreve, pode ser descrito como um sujeito bonito (Pelo menos para minha mãe ok?) Mas as características físicas são extremamente transitórias, de um físico atlético posso em semanas entrar em um aspecto sedentário (Se você passou dos trinta sabe do que estou falando rs).

Então quem sabe, esse “eu” seja o conjunto de ideias que acredito, mas da mesma maneira que meu cabelo cai, eu posso mudar de opinião ou mesmo de ideologia complementarmente!

Então quem sabe eu seja um conjunto de minhas memórias? Faria sentido, mas e aquelas pessoas que possuem alguma doença que as fazem esquecer suas experiencias de vida deixam de ser quem são por terem novas memórias?

Refletir sobre o que somos pode ser uma tarefa angustiante pelo simples fato de que quanto mais pensamos, menos é possível descrever o que realmente se é.

E então? Quem é você?

 

 

(Marcos A. Faria)

 

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Os mestres do universo da ignorância

 


Eu via He-man quando era criança, como boa parte da minha geração, mas os mais jovens tendem a conhecê-lo pelos memes da internet e apesar de provavelmente eu ter visto tudo mais de uma vez, não posso dizer que sou fã, o que implica em uma certa indiferença ao anúncio da Netflix sobre a nova animação. Contudo, muitas polêmicas surgiram e despertaram meu interesse em dar uma olhada no resultado.

Em suma, a nova animação dá espaço para outros personagens em especial Teela que na versão clássica era mais um personagem de interesse romântico para o protagonista. Já He-man e seu clássico inimigo, o Esqueleto, são deixados de lado para que os outros personagens sejam mais trabalhados. Esse detalhe já aparece na nomeação do desenho que se chama “Os mestres do universo” e não “He-man e os mestre do universo”.

Logo, um pessoal que provavelmente tem mais de trinta anos nas costas passou a reclamar: “Desenho do He-man sem He-man”, “lacração feminina”, “Teela está masculinizada”, “Que roupa é essa? Cadê o maio?” etc. Eu sem ver o desenho já estava desconfiado que essa reclamação toda era coisa de retardado, até que eu vi ...

Pois bem, agora tenho certeza! A ideia do desenho foi muito boa em explorar todo o cenário e personagens desse universo, algo que ficou enfatizado ao tirar de cena o poderoso He-man, sem poder contar com ele, os demais heróis tem que mostrar que sabem se virar, a própria aliança de heróis com alguns antagonistas foi uma pegada genial. Teela está lá para carregar a narrativa que passou a ser de exploração e não a fórmula antiga do “vilão do dia”.

Eu poderia trabalhar cada argumento crítico feito para a série, pois algumas coisas não são resumidas à “gosto”, mas sim a uma implicância imbecil feitas por marmanjos que alegam que sua infância foi destruída..., mas sinceramente, não vale a pena!

Se um sujeito ADULTO começa a militar sobre um DESENHO já podemos achar estranho. Veja bem, eu não digo que você seja obrigado a gostar do que é novo, mas proponho uma reflexão sobre a natureza da crítica.

A cultura pop, em especial o universo geek (ou nerd) tem dessas insanidades, outrora ser “nerd” era sinônimo de inteligência, mas hoje em dia já não pode ser encarado dessa forma infelizmente. É de se desconfiar que um sujeito mesmo sendo fã de X-men possa ser um sujeito preconceituoso e não é de se espantar que um fã de Starwars possa ser um fascista enrustido por exemplo.

Assim, por mais descolado que possa parecer um sujeito mais velho que curta essas coisas (pelo menos na cabeça dele), ele pode ser somente isso, um velho sem a sabedoria da idade, apenas um velho infantilizado que acha que seu gosto e apego emotivo é o real critério de validade da produção cultural ... 

Para esse tipo de sujeito, só há uma coisa a se dizer: 

Meu! Cresça!

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Bolsonarismo e a Ordem da Fênix


Como muitos já devem ter imaginado, sim, o título é uma alusão ao filme Harry Potter e a ordem da Fênix. Embora eu seja um entusiasta da cultura pop (Sou nerd/geek mesmo rs) a saga do jovem bruxo não me conquistou, tentei ler e parei, tentei ver os filmes mas larguei no primeiro, mesmo com praticamente todos do meu círculo de amizades apreciando a franquia, eu não avancei até os últimos dias ...

Recentemente resolvi ver todos os filmes (no momento faltam os dois últimos) e inusitadamente a Ordem da Fênix me deu um estalo para querer fazer essa infame analogia do bolsonarismo com eventos que ocorrem no filme.

Contextualizando, o grande vilão surge, aquele que não se pode falar o nome está entre nós, logo, era de se esperar que diante de uma grande ameaça, a comunidade dos bruxos se organizasse, os líderes traçassem planos de contingência para enfrentar esse mal certo?

Errado! Como acontece na realidade brasileira diante de um inimigo concreto, o Ministério da Magia liderado por Cornelius Fudge (Robert Hardy) acredita que tudo isso é conspiração para tirá-lo do poder, decide negar os eventos testemunhados por Harry Potter (Daniel Radcliffe) buscando desacreditá-lo e até mesmo culpar o jovem bruxo por eventos que estão obviamente ligados ao retorno do grande vilão.

Isso não lhe parece familiar? Mas não para por aí! O ministério da magia decide que a escola de magia de Hogwarts está corrompida! Os bons costumes estão sendo perdidos e é preciso resgatá-los, assim entra em cena a personagem Dolores Umbridge (Imelda Staunton) uma falsa puritana que em nome do que é o certo transforma a escola de magia numa pequena ditadura, com direito a torturas e tudo para manter a ordem e resgatar os valores “corretos”.

Dolores incorpora uma espécie de “cidadão de bem”, cheio dos valores que julga ser o correto e não tem percepção mínima de que se transforma em um excremento humano promovendo dor (literalmente as vezes) com suas ideias. Uma personagem tão odiável que nos pegamos desejando uma morte cruel para a mesma, só fazendo Nietzsche soar em minha mente com sua célebre reflexão: Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não se tornar também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”.

A gente pode rir de nervoso dessas coincidências, o mal transvestido de bem, negacionismo conveniente etc. Mas tudo isso só me fez pensar como que a arte seja ela qual for, está sempre denunciando as várias facetas do mal, ou melhor da ignorância, essa sim, o grande e verdadeiro mal.

Cresci vendo em novelas e até filmes, pilantras usando o nome de Deus para se passarem de bons por exemplo, para chegar à vida adulta e testemunhar fatidicamente que isso é real e que outros adultos que também viram essas mesmas coisas, são capazes de seguir acreditando em político que usa nome de Deus ... Só mais uma coincidência com Harry Potter, os trouxas são definitivamente trouxas ...

 

OBS: É infame a comparação da imagem,  Voldemort é realmente poderoso e tem certa inteligência, algo incompatível com o energúmeno, nosso presidente estaria mais para o bostão do ministro da magia Cornelius , mas esse pelo menos, quando viu a merda que fez, reconheceu.

terça-feira, 22 de junho de 2021

O idiota moderno e as teorias da conspiração

 


Sempre comentei, nas minhas aulas de Filosofia, quando surgia a oportunidade, que a palavra “idiota” era de origem grega, que embora as pessoas usassem para designar alguém que carece de inteligência, o termo referia-se originalmente àquele que nega o mundo, o ignorante. Precisamente, aquele que não participa da vida pública, da política.

Mas em tempos modernos (em um sentido de recente, atual, etc) o ignorante/tolo tem cada vez mais interesse pela política.

Obviamente isso não muda sua essência de ignorante, pois ele continua a ignorar a realidade, apenas resolveu se fazer de entendido de assuntos que notavelmente não domina.

É claro que o problema não é saber de tudo. Ninguém sabe de tudo! A questão justamente é: até onde vai o seu interesse pela realidade? Ele te leva a estudar um tema e refletir de forma crítica antes de manifestar ou defender uma posição? Se sua resposta é sim, parabéns! Mas se você está disposto a participar e a brigar na internet ou na mesa de um bar para defender uma ideia porque você simplesmente “acha” que é a correta mas não buscou estudar, refletir ou mesmo a escutar opiniões diferentes, tenho uma notícia chata para você ...

O resultado disso não podia ser outro. A corrosão de um sistema que já não é perfeito, mas que poderia ficar pior uma vez que nos debates de assuntos tão importantes que dizem respeito a todos nós, as ideias e ações que normalmente poderíamos chamar de absurdas e completamente sem noção, ganham notoriedade e são levadas a sério.

E normalmente não há remédio para o doente de uma ideia cuja base pode ser a simples vaidade. Esse idiota moderno, não está disposto a mudar de ideia. Mesmo que a realidade seja esfregada na sua face, ele não pode mais admitir que estava errado, ele vai negar, “ignorar” a realidade até o fim, pois afinal de contas, ele é um idiota.

Logo, esse idiota moderno está a um passo (ou com os dois pés) no fantástico mundo das “teorias da conspiração”. Como ele poderia ignorar mais a realidade, que exige estudo e esforço mental para ser entendida, senão por meio de ideias simplistas que não exigem qualquer esforço intelectual para ser compreendida?

As teorias da conspiração dão uma falsa sensação de controle e noção de superioridade. Para aquele que crê nessas bobagens, os outros são pobres coitados que não descobriram a "verdade". Aquele sujeito que não consegue entender nada de ciências (sejam quais forem), agora vira o jogo. Ele é o sábio, o esperto, o "livre" ... Mais uma ilusão ancorada na ignorância e vaidade.

Por que você vai gastar energia mental estudando História, Geografia, Sociologia, Filosofia, etc... para buscar compreender o mundo e as complexas relações culturais que fazem tudo ser como é,  se você pode simplesmente aderir a alguma ideia simplista de caráter maniqueísta (político ou religioso)?

Se a resposta não for o amor pelo conhecimento ou a vontade de ser livre das algemas ideológicas e culturais que prejudicam o seu eu e parte da coletividade, poderia ser simplesmente por uma questão de honestidade intelectual. Mas aquele que é contaminado pela vaidade, dificilmente abraça a humildade que a própria busca do saber exige.

Marcos Faria 07/06/2021

segunda-feira, 29 de março de 2021

“Estudar para ser alguém na vida”

 


Aparentemente o conselho é bom e no mínimo é cheio de boas intenções. Contudo, merece um olhar mais crítico. (O que seria de mim enquanto professor de Filosofia se não causasse esse tipo de inquietação? Rs)

Geralmente este conselho de “Estudar para ser alguém na vida” é direcionado ao jovem que está começando a ter alguma consciência da vida. Mas todos nós inclusive este jovem, já não somos alguém na vida?

 Então como “estudar para ser alguém na vida?” A ideia é ser alguém especial? Realizada e bem sucedido?

No sentido material provavelmente, mas o estudo pode não garantir essa realização financeira e a realidade esfrega isso na nossa cara o tempo todo. E mesmo que o indivíduo consiga essa estabilidade material na vida, nada garante que isso esteja vinculado à uma satisfação existência, ou seja, à felicidade.

O estudo pode sim te realizar, em um sentido existencial, o financeiro pode até ser uma consequência. Talvez essa perspectiva que deveria ser focada, de que o conhecimento pode nos enriquecer enquanto seres humanos melhores. 

Para esse conselho ser válido e não apenas mais uma frustração na vida das pessoas, deve-se compreender que a verdadeira realização das criaturas humanas, está no conhecimento.  Afinal, bem sabemos que praticamente todos os males dessa existência, são fruto da ignorância do ser humano, para com a natureza, para uns com os outros e para consigo mesmo.

domingo, 7 de março de 2021

Filósofas sim!

 


Saudações! Nada mais propício que nessa data em que celebramos o dia das mulheres, falemos aqui sobre estas dentro da história da Filosofia. Houve muitas delas, mas por razões culturais que podemos imaginar, não tiveram o destaque que mereciam.

Fala-se tanto em Sócrates (Reconhecido por muitos como o “pai da Filosofia”), mas sabia que ele teve duas professoras? Diotima e Aspacia! O que pode ter tudo a ver com a ideia de Sócrates (filho de uma parteira) de que a filosofia ajuda a “parir” as ideias ou a “verdade”, nomeando seu método de “Maiêutica” (parto).

Embora a discriminação sofrida pelas mulheres na história da Filosofia seja notável, algumas se destacaram pela busca da sabedoria e trilharam inclusive, os passos da ciência.

Mas por que ouvimos tão pouco delas? Eis a reflexão que quero lhes deixar ...

Sugestão de links:

Que tal uma lista de pensadoras?  https://pt.wikipedia.org/wiki/Mulheres_na_filosofia

“As mulheressempre existiram na Filosofia” - Entrevista com a filósofa Ruth Hagengrube:

https://diplomatique.org.br/as-mulheres-sempre-existiram-na-filosofia/  

Livro: Filósofas: apresença das mulheres na filosofia (Juliana Pacheco) -

https://www.editorafi.org/filosofas

Filme: Ágora de Alexandria – A incrível história de Hipátia -  

https://www.youtube.com/watch?v=ZIWRFY3X_RU

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Não seja maricas

 Se há algo frágil, definitivamente é o ego masculino em relação a sexualidade. Mas isso é uma construção cultural.



Desde de criança, o rapaz é cativado a ser macho, já lhe é imbuída a necessidade de ostentar a macheza, ele tem que demonstrar interesse no sexo oposto, ser forte, não chorar, etc. Crianças são crianças, haverá muito tempo para elas se descobrirem, mas por que os adultos as sexualizam? Por que a necessidade de arranjar a namoradinha do filho quando ele nem sabe falar ainda?

Lembro me que passei parte da minha vida juvenil conflitando com a masculinidade tóxica, se uma menina tivesse interesse em mim, eu tinha que ficar com ela, mesmo que não fosse recíproco, pelo simples fato de que os demais meninos não iriam entender que eu não queria por não gostar dela, mas iriam interpretar aquilo como “viadagem” ou seja, se eu não ficar com a moça é porque eu era gay.

E se hoje em dia ainda há preconceito sexual, bem sabemos que era muito pior no passado, ao ponto de que quem era homossexual dificilmente se assumia como tal, com receio de encarar a sociedade com os seus bons e velhos valores. Logo, ser taxado de homossexual estruturou-se como uma das ofensas mais serias que se pode fazer a um homem.

E assim a gente cresce, com a necessidade de provar que somos machos! Se passa uma mulher na minha frente, eu tenho que olhar e talvez até mexer para mostrar para o meus amigos que eu gosto daquilo ali. Ostentar quantas “peguei” e o que fiz com elas é padronizado como atitude comum de macho e se você não o faz, é por que com certeza você é gay ...

Falando assim, fica fácil perceber o quanto idiota isso parece não é mesmo? Mas está aí, você sabe, você testemunha, ou na pior da hipóteses, pratica.

Podemos desenvolver duas reflexões nessa linha: A primeira é que a cobrança da masculinidade definitivamente não é saudável, para começar porque ele inferioriza a mulher como um objeto, rotula o conceito do que é ser e como deve agir o homem levando a ideias estúpidas como: Pensar em amor e sentimentos é coisa de mulher ou de “maricas”, homem pensa é em sexo! E isso se reflete na sociedade, não do jeito que o conservadores gostariam, de homem na liderança provendo o lar e estruturando a família. Mas como famílias desestruturadas, mães solteiras porque o homem tem que pegar todas, casamentos falidos pela infidelidade de corrente da ideia de que homem pode fazer isso, de que é comum e normal, homens que são gays, mas vivem mentiras, Feminicídio! Podemos levantar vários contextos infelizes que podem ou estão relacionados com o simples fato de existir toda uma cultura voltada para a masculinidade tóxica.

A segunda, é que: E se eu fosse homossexual? O que isso importaria? O que isso faria de diferença na sua vida? Por que encarar a orientação sexual de alguém como motivo de ofensa? Se alguém me confunde ou supõe que eu seja homossexual, isso não é motivo para eu me ofender.

Mas a masculinidade tóxica está ai, ela promove o preconceito, a partir do momento que o homem não pode aceitar a homossexualidade, ele a antagoniza, sente a necessidade de agredi-la para provar-se macho.

O que nos leva a movimentos completamente imbecis como “Orgulho de ser hétero”.

Toda vez que me deparo com sujeitos nessa linha me vem à cabeça que: É um desafio tão grande assim ser hétero para o indivíduo que ele deve orgulhar-se? Eu vejo como se o sujeito orgulha-se de vencer o impulso íntimo de querer se atracar com o amigo malhado da academia ... 

Ser hétero não é motivo de orgulho para mim, simplesmente por não haver dificuldade nenhuma em me assumir como tal, agora ser gay e encarar todas as consequências e preconceitos que a vida vai trazer, esse sim tem que ter orgulho ...

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

"Fear of Missing Out”




Devido ao desgaste mental que senti diante de constantes debates nas redes sociais, resolvi dar um tempo, continuei olhando, curtindo uma coisa ali outra aqui, mas diminui radicalmente a minha atividade online (Mesmo porque, o trabalho me obrigando a estar online frequentemente me deu um sentimento de sobrecarga).

Eu me deleguei a tarefa de combater mentiras e desinformação (reflexo do meu ofício como professor de filosofia) mas me senti cansado, os debates políticos e ideológicos se estenderam aos contextos mais diferenciados. Até em fóruns de jogos de vídeo game, temos debates sobre “lacração”, “mimimi” e politicamente correto.

Um jogo com protagonista lésbica é acusando de querer “lacrar”, Quando você joga, vê que a orientação sexual da personagem não faz diferença alguma, Contudo, mesmo explicando isso para alguém de fora, ela insiste na crítica ...

O mesmo acontece em assuntos de imensa importância na atualidade como a Pandemia, as discussões se tornaram irrelevantes ao passo que um grupo de pessoas está disposta a negar toda a realidade (a ciência, os fatos etc) para insistir em uma agenda ideológica, como?

Você está diante de um fato, mas se agenda ideológica de um indivíduo o condiciona a não aceitar esse fato, ele passa a militar contra aquilo, disseminando mentiras (fakenews) e desinformação, geralmente com a ironia e deboche dos famosos “memes”.

Você pode desmascarar o argumento, a mentira etc, que vai se deparar com uma nova postagem falando a mesma coisa. Tudo isso se torna extremamente cansativo, essa luta contra a cegueira que é o viés de confirmação (Tendência de aceitar e acreditar somente naquilo que reafirma suas crenças iniciais, um erro de raciocínio indutivo).

E assim, eu dei um tempo, o que me levou a viver novamente o fenômeno do “Fear of Missing Out”, que eu desconhecida mas já deduzia. Pode ser traduzido como “medo de estar perdendo algo” é o sentimento de estar alienado e perdido por não estar participando da vida conectada das redes.

Se eu não posto nada, os algoritmos das redes me deixam de lado, (Isso já acontece no esquema de bolhas sociais) o que me levou a questão filosófica do “sentimento de não existir” por não estar ativo nas redes.

As pessoas desejam feliz aniversario porque as redes as lembram, mas não necessariamente porque a pessoa se importa, daí ser muito comum pessoas postarem contagem regressiva e “parabéns para mim” invocando a atenção, o sentimento de existir e estar conectado, uma carência existencial triste que pelo visto é mais uma faceta dos imensos prejuízos psicológicos que celulares e as redes sócias desencadearam.

Veja que as pessoas tendem a ser bem mais ativas quando estão solteiras, mas ao passo que entram em um relacionamento, diminuem sua atividade online pois passou a ter atenção particular? Impressão minha?

Se outrora as pessoas já lutavam para criar uma identidade, se sentirem vivas, especiais, diferentes. Hoje em dia podemos dizer que houve um “upgrate” das crises existenciais. Afinal, percebe-se que essa geração está marcada por crises de ansiedade, depressão etc, e se cada vez mais, estamos dependentes dessas mesmas redes para trabalho e o dia a dia, como se curar? 




Sugestão de filme: Into the wild (Brasil: Na Natureza Selvagem)



Sobre os desfechos negativos dessa tecnologia toda, vejam:







quarta-feira, 22 de julho de 2020

Como ser feliz?




Todo mundo quer ser feliz, se sentir realizado, pleno, contente com a própria existência. Tanto que Aristóteles filósofo grego concluiu que toda ação humana aspira ao bem maior da felicidade.

O “sentido da vida” é um tema recorrente nas reflexões filosóficas, mas não precisa ir nos meios intelectuais ou eruditos para se deparar com tal temática, ela está ai o tempo todo com você, comigo, a cada decisão, nas mais simples como “O que fazer hoje?” ou as mais complexas: “o que eu quero fazer da minha vida?”

Para Soren Kierkegaard (1813-1855), o ser humano está em um dos “Estágios da vida” que explicam a nossa “angustia” e tem a solução, vejamos:

I - Vida Estética: Simbolizado pelo “Dom Juan”, o estágio estético mostra o homem que busca a máxima satisfação do presente, procurando tornar único cada instante, abomina o monótono. Mas o “instante” é fugaz, levando ao tédio e ao desespero.

II – Vida Ética: Contrapondo ao homem estético (Dom Juan), o homem ético é representado pelo “Bom marido”, é aquele que escolhe o quer ser e se impõe disciplina para tanto. Mas ser fiel, respeitoso etc. Ainda assim, não dá a paz de espírito, apenas elimina alguns problemas mantendo o homem ainda com angustia, ou melhor, “desesperado”.

III – Vida religiosa: somente o estágio religioso dá ao homem o significado ultimo da existência. Ou seja, para Kierkegaard somente na fé, com Deus você será feliz, mas você encontra pessoas que vão te receitar justamente a ponderação da vida ética ou a intensidade da vida estética ...

Mas será que a vida tem uma receita de bolo? Uma resposta simples assim? Faça tal coisa e se realize!

Aquelas pessoas que eventualmente criticam uma conduta tua, como não querer sair, ou não gostar de uma piscina por exemplo, Essa pessoa é plenamente feliz para estar te dando esse conselho?

Digo isso pois certa vez, no ultimo horário de aula de uma sexta feira a noite, um aluno me perguntou o que eu ia fazer depois da aula. Afinal, “sextou”. Eu disse que só queria um banho e jogar um vídeo game. Meu aluno disse que eu tinha que "viver " (risos)

Eu perguntei o que ele ia fazer para “viver” e a resposta era beber com uns amigos na praça. Retruquei que, ele ia estar feliz lá e eu feliz em casa e está tudo bem. Mas o que me impressionou nesse caso, é que a pessoa em questão vive com crises existências, em depressão, mas se sentiu com moral de me dizer o que eu devo fazer para “viver”.

O mesmo vale para a imagem em questão (Tema dessa publicação) , por que alguém vai sentir pena da pessoa por ela não ter “vícios”? Do ponto de vista de várias vertentes, “triste” é a pessoa depender de vícios para se sentir pleno.

Uma coisa pode ser boa para você, te fazer feliz, te dar paz, mas isso não significa que terá o mesmo efeito no outro. Obviamente, você pode querer tentar repassar a sua ideia, mas será que você está tão bem assim para ter moral de ditar alguma regra ou receita de bolo da felicidade para o próximo, ao ponto de critica-lo?

Todo mundo sabe essa resposta ...

Então, Como ser feliz? Cada um tem que encontrar a sua resposta ...




Aquele abraço ...





PS: Sabe o que funciona comigo? isso aqui:

 E isso:



terça-feira, 26 de maio de 2020

Toda opinião merece respeito?



OK, o título já deve estar te incomodando, afinal sempre fomos educados a respeitar o próximo, isso inclui também a opinião do próximo. E realmente, devemos respeitar as pessoas e suas opiniões. Contudo, há um limite para tal e gostaria que você me acompanhasse nesse raciocínio ...


Não é de hoje, que há um conflito e distinção sobre a "opinião" e “saber verdadeiro”. Os gregos antigos já tinham e refletiam sobre essa dicotomia. Por volta do século V a.C, surgiu na Grécia um grupo de pensadores que passaram a “comercializar a filosofia”, ou seja, vendiam o “conhecimento”. A base para isso era o “relativismo”. Para eles existia somente opiniões e nenhuma verdade absoluta.

Tal concepção faz sentido, afinal, uma fruta é gostosa ou não? As pessoas vão ter opiniões diferentes sobre isso, quem gosta ou não de daquela fruta, estará falando a verdade mesmo que sejam ideias contrarias.



Mas se só existem opiniões, então não há necessidade de buscar um “conhecimento verdadeiro”? Vejamos:

Mesmo entre os Sofistas, a busca por um conhecimento mais profundo era incentivada. O mais famoso deles, Protágoras (490/415 a.C), afirmava tal necessidade uma vez que mesmo não havendo uma “verdade absoluta”, era necessário distinguir entre opiniões mais ou menos uteis, “melhores” ou “piores”.

Então nos deparamos com a questão: Nem toda opinião tem o mesmo valor, pois o que vai pesar no final das contas é o grau de conhecimento do interlocutor. Como assim? Imagine que você passe mal entre seus amigos, um é da área da saúde (enfermeiro, médico etc) o outro é um mecânico inteligentíssimo, qual dos dois terá a opinião mais correta sobre como proceder diante de seu mal-estar?

Bem sabemos que é aquele que tem o conhecimento mais profundo da saúde nesse contexto. (Poderia acontecer, mas seria muito pouco improvável que o mecânico tivesse uma solução mais correta do que o médico).

Óbvio que não podemos desvalorizar o conhecimento de ninguém, devemos sim respeitar a opinião das pessoas, mas quando a opinião sem embasamento algum vai contra um saber mais metódico, ela não tem poder. Quando uma opinião calcada em “achismos” faz frente aos fatos ou dados concretos, ela não pode superar o que é “consistente” com a realidade maior, no máximo, pode ser usada para questionamento e revisão.


(O termo Doxa vem do grego, significa opinião ou simplesmente crença comum, ele se opõe à Episteme, que por sua vez seria o conhecimento “verdadeiro” ou basicamente um conhecimento metodológico, calcando e evidencias e até mesmo “demonstrável”).

Assim, Devemos compreender que o mundo é  mais do que eu acho ... O mundo não é o reflexo só do que eu vejo.


Nós temos direito de ter opinião, mas isso não deve ser limitado a invocar o “respeito” para permanecer no erro.
Sim! Eu posso estar errado na minha opinião sobre um tema, cabe o debate honesto e a reflexão profunda para rever isso. Eu não tenho que respeitar sua opinião se você está errado e se no erro você fere ideologicamente ou fisicamente o outro. Ou vai me dizer que por exemplo, “racismo” é uma opinião, portanto, a pessoa tem direito de ser racista?

Questione as próprias convicções ...

Só assim melhoramos nossos conceitos e poderemos ter uma opinião realmente válida das coisas.


domingo, 29 de março de 2020

Não adianta de nada ser crítico só quando te convém




Como professor eu sempre ensinei ao meus educandos que deveriam questionar e terem uma postura crítica, principalmente diante das informações da mídia em geral.

Aparentemente, nos últimos dias deparei me com um surto sobre esse tema.  A militância contra a TV ganhou força nas redes sociais e era para eu estar muito contente com a postura “crítica” das pessoas certo?

Infelizmente não, pois não se trata de uma “conscientização honesta”, mas pura e simplesmente manipulação de massa (Dentro de sua bolha social os indivíduos são convocados a atacarem qualquer ameaça às suas ideologias). As pessoas se mostram críticas à mídia apenas quando ela contraria os seus “mitos”, as suas convicções e principalmente seus políticos/bandidos de estimação.

Um exemplo simples disso, é sátira ou parodia política. Desde que me entendo por gente, vejo programas de TV onde aparecem atores imitando os presidentes, em uma ridicularização hilária e com fundo de crítica social.

O engraçado era que todos riam e continuam rindo ainda hoje com isso, exceto quando a piada é com o SEU político de estimação, hipocrisia é o que chama?

Estamos diante de um dos eventos mais marcantes dessa geração, uma olimpíada foi cancelada, Sabe qual foi o outro evento que fez isso?  Uma guerra mundial! E as pessoas acham mesmo que a televisão não iriam abordar incessantemente esse assunto? Inclusive no sentido de prevenção!

Se superarmos essa fase, com certeza se deve ao esforço individual que cada um adotou (Pelo menos de quem entendeu a gravidade do momento). A informação nos permitiu tomar medidas de precaução.

Devemos ser críticos em relação à informação, mas isso não pode ser tendencioso. Não adianta de nada ser crítico só quando te convém ... 

Caso contrário, você não está livre da manipulação, é apenas extensão dela.





quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Greta e a linguagem de parquinho





A jovem Greta Thunberg nasceu em Estocolmo (Suécia) em 3 de janeiro de 2003. É uma ativista ambiental e ganhou tanto destaque que foi eleita a personalidade do ano pela revista Time, assunto que por si só já deve ter a feito passar pela sua timeline.

O ativismo de Greta gira em torno das questões ambientais, precisamente, ela cobrou dos políticos de seu país uma postura mais atenta às mudanças climáticas, participando de protestos, militando na internet e fazendo “greve de escola”.

A comunidade científica está a um bom tempo tentando explicar para galera que o capitalismo "selvagem" está impactando diretamente na natureza e passou da hora de pisar no freio, Então uma garotinha entendeu isso e fez dessa situação sua bandeira, enquanto que outros adolescentes abracem bandeiras como anarquia, feminismo, etc. Greta se encontrou na militância ambiental ...

Contudo, aparentemente, uma menina de 16 anos causa tanto incômodo que parte das abordagens sobre ela que ando vendo na internet são basicamente para desacreditá-la, diminuí-la, muitas vezes pelo deboche, como se vê no vídeo que esbarrei (Imagem dessa postagem): 

Basicamente, Greta fica aparentemente confusa e não responde a pergunta, a trilha sonora editada, contribui para dar um clima de “comédia”, os comentários consequentemente são uma onda de deboches ...

Vemos basicamente a falácia preferida dessa galera que aparentemente fica incomodada com uma menina de 16 ter atenção por querer “salvar o planeta”, estamos falando do “ad hominem”, aquela velha história do não consigo combater a ideia da pessoa, então vou atacá-la no lado pessoal.

Agora vamos ao fatos, Greta é diagnosticada com TDAH , transtorno obsessivo-compulsivo, síndrome de Asperger e mutismo seletivo, esse último caracteriza-se por justamente pela situação de não querer falar em certas situações (No mundo adulto o diagnóstico vira “fobia social”). Agora pega essa informação e junta com o TDAH, que por sua vez é a desatenção/hiperatividade inconsciente (Resumindo grosseiramente), você percebe que situações como a do vídeo devem ser muito frequentes?

Fazer piada com isso não só é uma mesquinhez, uma ignorância sem tamanho, como simplesmente NÂO tira a razão da militância dela!

O que me faz pensar o quanto estamos em tempos tenebrosos, onde ao invés de entender que a menina está certa, “Temos que cobrar dos nossos políticos metidas ambientais e conscientes”, a pessoa ignorante se propõe a: “Essa pirralha só quer aparecer”, “ela nem sabe falar em público”, “Tem um outro cara que fez muito mais pelo planeta” ou, dos piores, “ela precisa de sexo”.

Greta não é a única que ao ganhar destaque por alguma coisa virtuosa, passa a ser atacada ao invés de ter a ideia ouvida. Assim, nos deparamos com a “linguagem de parquinho”, sabe? Aquela treta de criança, quando não se tem a razão ou o coleguinha ganhou um elogio e bate uma inveja, a criança bate o pé e diz algo como: “bobo feio!” e sai pisando duro.

Aí te pergunto: Se Greta for um fantoche, ser viciada em drogas, ser satanista, ser qualquer coisa que não te agrade, isso muda o fato de que devemos ter consciência ambiental? Que a ganância do homem está f%d&*do a natureza? 

...

Simplesmente, o culto da ignorância, da baixeza humana está vencendo, estamos naqueles momentos da história que é uma ladeira abaixo sem previsão de freio ...




quarta-feira, 20 de novembro de 2019

“O mês da consciência negra é o mês da consciência humana”




Basta chegar essa época do ano e Morgan Freeman (ator) vai aparecer na sua rede social falando que não deveria existir um “mês da consciência negra”, provavelmente, um amigo vai surgir com aquele papo de que o certo, é a “consciência humana”. Que defender esse "papo de um mês diferenciado" é uma forma de aumentar o racismo!

Eu mesmo já escrevi um texto certa vez, para os eventos escolares do mês da consciência negra, onde eu falava da importância da consciência humana, onde levantei que o berço da humanidade era o continente africano, que taxar “raças” era no final das contas, um erro ... Mas minha concepção não era essa de que é um erro tirar um dia, 20 de novembro, ou o mês todo para se falar em consciência negra, pelo contrário.

Freeman e os simpatizantes de sua fala (levemente descontextualizada), tem a ideia de que se não falássemos disso, uma hora seria tudo normal, que não haveria diferenças. 

Contudo, deixe -me propor um raciocínio diferente:

Eu não combato qualquer tipo de injustiça fingindo que ela não existe ou deixando de falar nela. Se meu filho vê que existe racismo e eu não o “ensinar” que isso é errado, ele vai crescer achando que aquelas atitudes racistas estão corretas, que são “normais”, que a cultura é “isso ai mesmo”.

O mês da consciência negra, não é um privilégio, não é para ser só diferente, é para lembrar que outrora a “humanidade” não era tão humana assim, e que aqueles tendências infelizes ainda persistem hoje em dia, muitas vezes discretas, disfarças de “direito a opinião”, de “brincadeira” etc.

Preconceito existe! As ciências sócias/humanas estão aí denunciando, baseadas nas estatísticas e análises das ciências exatas, basta um instante de estudo do tema, e você vai perceber que aquela história absurda de “orgulho de ser branco”, é na verdade, simplesmente estupidez de alguém que não consegue enxergar o mundo como realmente é.

Esse período, é um momento para lembramos de nossa condição humana, do que entendemos como ser humano, de nos conscientizar de injustiças para eventualmente combate-las!

O mês da consciência negra meus queridos, é também, o mês da consciência humana ...


terça-feira, 6 de agosto de 2019

EU TE DESEJO A SORTE DE UM AMOR TRANQUILO



Paixão é desgastante, só na adolescência em que se é pura energia ela parece felicidade, contudo, com o tempo percebemos o que realmente é: sofrimento.
Paixão é isso, sofrimento, é a angustia, é o ciúme, a gula pelo ser … Aquela ilusão quase que lúdica de que o nosso vazio existencial pode ser preenchido com o outro, ou melhor, pelo sentimento da paixão. Mas que lentamente se mostra insaciável uma vez que não é “aquilo ali” que vai te dar a paz.
Já o amor, esse é tranquilo, a própria essência dessa tão esperada paz.
Que delícia é amar sem ter que se preocupar em mostrar, pois simplesmente está lá, no silêncio que contempla a simples presença, ou mesmo naquele sorriso que brota sem a presença, pelo simples lembrar.
Sem jogos, sem aparências, sem cobranças fúteis, sem angústia …
Ah! Que delicia é amar. Onde fazer qualquer coisa ou nada, vai lhe render um sorriso espontaneamente feliz …
Pois é, eu te desejo a sorte de um amor tranquilo.


Essa foi  a minha primeira postagem pela pagina oficial do Clube dos literatos, antes, estávamos postando pelo jornal Folha de Barbacena
O projeto reúne vários escritores  barbacenenses, vale a pena conferir.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Na moda do desapego




Reza a lenda (ou melhor, O mito grego) que os seres humanos eram, a princípio, grudados entre si, sento portanto um só ser (Duas cabeças, quatro braços etc). Contudo, Zeus nos partiu ao meio e nos levou a uma condição de busca pela nossa outra metade.
Tal relato milenar explicava para o sujeito antigo porque queremos tanto alguém, a tal outra metade da laranja, a alma gêmea etc.

E na história, houve períodos em que o amor era a inspiração dos poetas, o sofrimento da paixão era romantizado. Mas os tempos são novos, são velozes ... “Líquidos” como dizia o simpático Zygmunt Bauman.

Muitos veem essa angustia como ultrapassada, pois a modernidade que foca o “indivíduo”, lhe convoca a realização pessoal e certo “desapego” se tratando de amor.

Não há nada errado com isso. O desapego é bom, o amor próprio é um ideal, afinal como amar alguém senão amamos a nós mesmos? Qualquer tentativa de um relacionamento que esteja ancorado na carência e na incompletude tende a ser frustrante.

Mas, talvez toda essa condição, tenha gerado a “moda do desapego”, como se as relações fossem um jogo onde quem se importa menos “ganha”. Afinal, a modernidade lhe deu o “poder” de não se esforçar muito para algo dar certo.

Aquela moça ou rapaz bonito, quando se veem em um relacionamento que não é perfeito ou “ideal”, facilmente podem migrar para outro na busca dessa “perfeição”.  Aquele amigo te chateou? Ora! Que tal acreditar naquela ilusão de mais de mil amigos do Facebook?

Se como eu você tem mais de trinta, lembra-te de sua juventude, quando você poderia se apaixonar com alguém na rua, mas provavelmente nunca mais veria a pessoa. Vai me dizer que só eu era bobo assim? (risos). Hoje, a conectividade deixa as pessoas absurdamente mais próximas e antagonicamente distantes ...

Ninguém completa ninguém, mas podemos ter uma agradável companhia nessa jornada existencial. Porém, a banalização do “desapego” no fim da história, contribui é para que cada vez mais as pessoas se sintam sozinhas ...

Outrora as pessoas sofriam tanto por amor que se matavam, a cultura era marcada pela exaltação da realização do amor e consequentemente da felicidade. Nesse sentido, estamos bem melhor ao entendermos que a felicidade é uma condição pessoal e pode estar “ou não” na realização do amor.

Contudo, a banalização do desapego pode nos transformar naquilo em que todos temos repulsa, pessoas egocêntricas que não se importam com nada ou ninguém além de si mesmas.

“Mas eu não vou sofrer com quem não merece!”

Calma! É justo! Mas quantas pessoas do bem podemos estar perdendo ou deixando de ajudar por não querermos dar alguma importância? Percebeu que do tema amor chegamos a qualquer tipo de relação?

Então, que tal mandar uma mensagem para alguém que tu acha que te esqueceu? Se importar não é fraqueza, hoje em dia mais do que nunca, a gente tem que ser muito forte para demonstrar que se importa ...

Na moda do desapego, eu sigo promovendo amor ...